Thursday, September 09, 2004

De Kayak na Gronelândia

Regressei da Gronelândia há dias com a memória a transbordar com uma experiência incrível.
15 dias de kayak itinerante nos fiordes, alguns com inúmeros icebergs a vogar, com um animado grupo de 11 espanhóis, 2 italianos e 1 português (além de mim).
Paisagens magníficas, silêncio total, excepto o vento e a água a bater nas rochas ou nas praias, e o desmoronar esporádico de um iceberg.

Não encontrámos mais alguém excepto 1 família de inuit (esquimós) que esfolavam uma foca e outro que também tinha caçado uma foca. A temperatura variou entre 24 e 15 de dia, e baixou para os 5-10 à noite.
Também fizémos caminhadas nos montes salpicados de lagos e de flores onde as renas, as raposas e as lebres deambulam (vi uma rena albina). Pescámos peixes e mexilhão, de que fizemos sopa e arroz, comemos foca e baleia, colhemos mirtilhos, acampámos sempre nas margens, fizemos fogueiras e vimos magníficas auroras boreais.
Numa quinta isolada onde acampámos vários inuit colhiam batatas e desafiaram-nos para um jogo de futebol que foi muito disputado e gozado. Ganhámos 8-2.
Acampámos 3 dias junto á calote polar que é um mar impressionante de gelo donde se destacam todos os dias vários grandes blocos que caem no mar.
No fim é duro regressar e voltar a ouvir os automóveis e as televisões...

PS: Visite o site Rotas do Vento onde encontrará o programa Expedição de Kayak na Gronelândia.

Tuesday, March 26, 2002

A Diferença Horária na Viagem

Viajar através de vários fusos horários (normalmente mais de três) pode ser muito desconfortável pois desregula-nos o ciclo vital durante alguns dias após a chegada. Alterações no ritmo de vida e no ciclo de sono-actividade causam distúrbios vários que incluem problemas digestivos e gastro-intestinais, dores de cabeça, alterações hormonais, na tensão arterial, na pulsação, no padrão de respiração, na utilização de oxigénio e nos hábitos intestinais, além de sintomas fisiológicos e mentais provocados pela fadiga.
Temos fome a horas inconvenientes, falta-nos o apetite no momento do almoço, não conseguimos adormecer antes da madrugada ou então custa-nos terrivelmente levantar de manhã. Muitas vezes, os primeiros dias de viagem são terríveis e não conseguimos apreciar devidamente o que nos deveria dar prazer pois sentimos um permanente cansaço.
Três dias antes da partida é desejável que regulemos gradualmente os hábitos alimentares e o sono de acordo com os horários no país de destino: se viajamos para leste poderemos passar a deitar-nos e a levantar-nos mais cedo e a adiantar as refeições.
A percepção do tempo pelo nosso organismo é influenciada por factores internos ou somáticos e por factores externos ou conjunturais. Estão definidos cinco factores que condicionam essa adaptação: luz, dieta, exercício físico, interacção social e drogas. Compreendendo a sua acção poderemos utilizá-los para conseguirmos uma melhor adaptação à diferença horária.
Luz - A acção da luz é captada pelos olhos e transmitida para o cérebro onde vai estimular uma série de hormonas que regulam os períodos de actividade ou de sono. Por isso deverá procurar forçar um pouco os horários antes da partida com vista a melhor aproximar-se dos do destino. Quando lá chegar deverá ter a disciplina de dormir somente no período natural.
Dieta - Além da luz, o regime alimentar é um factor importante para definir o relógio biológico do nosso organismo. Este relógio prepara o estômago para receber alimento em momentos diários regulares e causa a produção de sucos digestivos, mesmo antes de cheirarmos quaisquer alimentos. Ele também regula a energia, a força, o estado desperto, e define o momento no final do dia em que sentimos fadiga e o desejo de repousar.
Diferentes alimentos causam reacções diversas: alimentos ricos em proteína (carne, peixe, queijo, ovos, caça) e elevadas calorias ajudam a manter-nos alerta, alimentos ricos em hidratos de carbono (arroz, massas, batata, lentilha, cereais) ajudam-nos a manter um estado de repouso.
Exercício físico - A actividade tende a estimular o organismo e a torná-lo mais desperto. Por isso é eficaz para estabilizar esse relógio no início do dia e tem o efeito contrário à noite.
Interacção social - Normalmente estão incluídas actividades como conversar, sair com amigos, passear em locais cosmopolitas, fazer compras, ver televisão ou visitar museus. Este factor tende a excitar a pessoa tornando-a mais desperta.
Drogas - Os químicos podem excitar ou adormecer consoante a substância. A cafeína é um auxiliar poderoso neste processo e, além do café, ela está contida no chocolate e no cacau. O chá preto também tem um forte efeito excitante, assim como o tabaco e o álcool.
Quando entrar no avião, regule o seu relógio de pulso para a hora do destino e proceda como se já aí estivesse. Não se importe de prescindir de uma refeição. Tenha junto de si uma garrafa de água e beba regularmente durante a viagem para se hidratar, e para fazer funcionar o intestino e evitar a prisão de ventre.
Ao viajar para leste durma. Peça um cobertor e uma almofada, tire os sapatos e calce umas meias espessas, use uma venda e tampões para os ouvidos.
Depois de chegar ao destino deve cumprir de imediato os horários locais, mesmo que tal implique sacrifício. Quantas vezes, ao viajarmos para oeste, e após chegarmos ao hotel somos possuídos por um desejo terrível de adormecer a meio da tarde! Ou o impulso de comer uma refeição abundante no princípio da manhã. Mas, se caírmos nessas tentações só estamos a atrasar um processo que é desejável que se faça o mais rápido possível.
O nosso lema é que o primeiro dia passado no destino é o mais duro e tem de implicar um grande sacrifício. Isto ocorre sobretudo quando viajamos para leste pois não temos sono ao deitar e custa-nos muito acordar de manhã.
Pratique um horário uniforme de sono e de refeições durante os primeiros dias.
Apanhe sol na pele pois o organismo reconhecerá melhor o período em que deve estar acordado. Faça exercício físico de manhã, nomeadamente passeios a pé ou de bicicleta. O exercício físico eleva a temperatura do corpo e, praticado ao fim do dia, funciona como excitante.
Não durma a sesta nem coma fora das refeições.

Tuesday, June 05, 2001

Vulcões e Selva Tropical, Costa Rica

A Costa Rica é um dos países do Planeta que goza da mais espantosa biodiversidade, tanto vegetal como animal, e deixa qualquer viajante impressionado. Os dados referentes ao número de espécies existentes são incríveis: 850 espécies de aves, muito mais do que em toda a Europa ou toda a América do norte! Por isso, o interesse desta viagem reside na Natureza que iremos apreciar em diversos parques e reservas acompanhados de um guia naturalista. Ele explicar-nos-á os hábitos dos diversos animais e a razão de ser de algumas das suas especificidades relacionadas com o esforço de sobrevivência. Falar-nos-á das plantas e das características de cada tipo de floresta e de como aquelas interagem. Ele sabe inclusive imitar o canto de várias aves ou o som de mamíferos para os chamar ou espevitar enquanto os observamos.
O Parque Natural de Santa Elena é constituído por uma densa floresta secundária de montanha (cloudforest) que está permanentemente húmida devido à presença de uma nuvem que a envolve. A exuberância e o viço da vegetação são extraordinários: foram detectadas aqui mais de 2500 espécies de vegetais das quais inúmeras orquídeas e bromelíadas (foram registadas no País 1200 espécies de orquídeas!). As árvores estão carregadas de plantas epífetas que brotam do tronco e dos ramos, a destacar musgos, lianas, fetos e vinhas.
Avistaram-se no parque cem espécies de mamíferos entre os quais ocelotes, jaguares e macacos, bem como quatrocentas espécies diferentes de aves, entre as quais a mais famosa, o quetzal, que os costa-riquenhos consideram a ave mais bonita do mundo.
Aqui fiz um percurso muito interessante num sistema de pontes suspensas ao nível da copa das árvores da floresta para observar a vegetação e a fauna tomando conhecimento de um mundo desconhecido e que habitualmente não está ao nosso alcance. Gostei bastante de apreciar a floresta do alto e ver o que se passa no topo das árvores. Observei aves, esquilos, borboletas, insectos e macacos. A mais longa das plataformas tem 200 metros de comprido e 42 metros de altura!
O parque nacional Rincón de la Vieja, a norte perto do Pacífico, é dominado por uma longa cadeia de montanhas que se elevam sobre a floresta húmida. Aqui observa-se uma curiosa actividade vulcânica pois no parque existem dois vulcões, o adormecido Santa Maria e o moderadamente activo Rincón de la Vieja. Por isso, há várias fumarolas e piscinas de lama e água em ebulição que vamos descobrindo ao longo da caminhada. O cheiro a enxofre no ar anuncia-nos a proximidade dessas fendas.
Observei longamente um grupo de macacos que se deslocava saltando de umas árvores para outras. Todos tinham uma agilidade equivalente excepto os mais pequenos que seguiam no final por serem mais lentos e mais prudentes.
Há animais que nunca imaginei que subissem às árvores e surpreendeu-me ver um coati (pizote), um roedor do tamanho de uma raposa, à procura de alimento no meio das ramagens. Mais tarde veria também um papa-formigas dormindo no cimo de uma palmeira (a sua actividade é nocturna), bem como diversos grandes iguanas imóveis ao sol sobre as copas de árvores. Presumo que, nos milénios da sua evolução, este foi o artifício que encontraram para escapar aos predadores.
A Reserva da Floresta Primária Laguna del Lagarto situa-se em Boca Tapada no centro do País, perto da fronteira da Nicarágua. A nossa estalagem situa-se no meio da floresta chuvosa secundária (rainforest). A diversidade de fauna é admirável e poderemos encontrar mais de 350 espécies de aves entre os quais a rara grande-arara-verde, em vias de extinção, tucanos, abutres, papagaios, colibris, rãs dardo vermelhas e verdes, macacos, morcegos, papa formigas e inúmeras belas borboletas. À hora do pequeno almoço içam um cacho de bananas defronte da sala de jantar que é um bom chamariz para as mais diversas aves que aí acorrem e que disputam o alimento. A variedade de pássaros é grande e o espectáculo muito interessante, colorido e divertido.
Outro dos costumes nesta estalagem é darem de comer aos caimãs na lagoa antes do crepúsculo. Depois instala-se uma intensa sinfonia na floresta com todos os animais nocturnos a iniciarem a sua actividade e a produzirem os seus sons.
Além da Natureza exuberante que é o seu principal atractivo, a Costa Rica tem uma considerável actividade vulcânica que fascina a maioria dos viajantes. Fortuna é a aldeia privilegiada para se observar o vulcão Arenal pois está muito próxima. Ele tem uma elegante forma de cone, é activo e periodicamente produz explosões que expelem fumo, cinzas e rochas para o ar. Por isso não é permitido escalá-lo. Contentei-me em subir através de densa floresta ao Cerro Chato, um vulcão inactivo cuja cratera forma uma bonita lagoa rodeada de vegetação.
A experiência mais interessante que tive foi na Barra del Colorado. Navegámos 140 km no rio San Juan que faz a fronteira nordeste com a Nicarágua e que desemboca no mar das Caraíbas. Durante a nossa viagem observámos vários crocodilos em repouso, tartarugas e muitas aves lacustres, uma grande parte sendo pernaltas. Apesar da existência daqueles répteis vi diversas crianças a banharem-se tranquilamente nas margens e um grupo de rapazes a vogar animadamente sobre câmaras de ar.
Chegámos a um albergue no meio de uma estreita península onde, nas suas traseiras, se alongam quilómetros de praia deserta com coqueiros no mar das Caraíbas. O local não é habitado e não havia vivalma muitos quilómetros em redor. Paradisíaco!
Aqui fiz uma excursão de piroga à noite para observar fauna que foi a actividade mais curiosa e divertida que realizei. Navegámos junto às ramagens que pendiam sobre a água do rio que o guia perscrutava com uma lanterna. Foi muito aliciante pois deslizávamos debaixo das ramagens e aproximávamo-nos dos animais. Eles, dormindo, não reagiam! Fomos observando diversas aves de vários tamanhos. Vimos vários iguanas machos e fêmeas equilibrados nos ramos, bem como basiliscos, os lagartos que correm na superfície da água. Nas zonas menos profundas encontrámos dois caimãs repousando com os olhos e focinho à superfície. À excepção de uma ave e de um caimã que acordaram e se escapuliram, os restantes suportavam imperturbáveis o foco das lanternas bem como o clarão do meu flash.
No dia seguinte fizemos um passeio a pé na floresta. Caminhávamos em silêncio com o guia muito atento à frente. Vimos várias pequenas rãs dardo vermelhas, uma preguiça, abutres e diversas aves muito coloridas. As rãs dardo chamam-se assim pois segregam uma substância que os índios usam para envenenar as suas flechas. A preguiça é um mamífero curioso pois move-se muito lentamente e vive agarrado aos ramos das árvores e come folhas. O guia emitia um som que a fazia olhar em várias direcções com curiosidade.
O Parque Nacional Manuel Antonio situa-se na costa do Pacífico e possui um sistema de caminhos que cruzam a floresta tropical e que dão acesso a longas praias brancas com coqueiros e a um mar azul marinho com paisagens paradisíacas. Esta floresta contém 100 espécies diferentes de mamíferos e 180 espécies de aves. A observação mais aliciante que fiz nesta viagem foi a de uma boa constritora com dois metros e meio que se deslocava vagarosamente por entre a folhagem. O seu nome deve-se ao facto de ela estrangular as suas presas com o corpo e de lhes quebrar a coluna vertebral. O guia explicava-me que ela não é venenosa mas para eu não me aproximar muito pois ela morde.
Descemos à praia e de caminho víamos macacos pendurados nas árvores. Tínhamos de caminhar com cuidado pois às vezes havia filas de formigas carregando grandes pedaços de folhas atravessando o carreiro. As suas tocas são uns montes de dimensão considerável e dizem-me que aí podem habitar alguns milhões de seres. Na costa os iguanas descem à areia e não se impressionam com a presença das pessoas. São uma companhia engraçada e têm um olhar meio desconfiado, parecendo ser muito pachorrentos.
Mais endiabrados são os mapache (raccoon): vi um grupo de três descer à praia e dirigirem-se a uns sacos cujas donas se banhavam. Abriram-nos, retiraram os pic nics e fugiram de volta ao arvoredo. Depois lutaram entre si pois não tencionavam dividir o saque.


Gonçalo Velez
Março 2002

Sunday, May 06, 2001

Do Cairo a Palmira, Egipto, Jordânia e Síria

A península do Sinai é uma região milenar de movimentos de peregrinação na direcção da Terra Santa no qual o monte Sinai (jebel Musa, 2285m) representa uma referência importante.
A sua ascensão é realizada em carreiros suaves durante a madrugada e fiquei surpreso de ver dezenas de camelos transportando peregrinos de todas as idades até perto do cume. Outros tinham feito a ascensão na véspera e dormiam em saco cama à espera do nascer do dia. Mal o sol despontou aglomeraram-se sobre os diversos rochedos apreciando a forte luminosidade. Havia grupos de igreja provindos dos vários continentes, inclusive um japonês, chefiados por párocos que recitavam orações com grande devoção.
Visitei o mosteiro de Santa Catarina, situado na base do monte Sinai, que é um oásis de religiosidade cristã nesta vasta região desértica. Este mosteiro foi fundado no séc IV pela imperatriz bizantina Helena e tem sido ocupado por monges ortodoxos gregos. Está rodeado por uma elevada muralha que servia de protecção dos residentes e dos peregrinos que aí repousavam. A antiguidade dos objectos que se encontram dentro da igreja deixou-me surpreendido. Gostei particularmente dos enormes e pesados queimadores de incenso que pendem do tecto e dos inúmeros ícones que forram as paredes. A maioria dos visitantes arranca uma folha de um arbusto situado detrás da igreja que se supõe ser aquele que Moisés viu incendiar-se.
No caminho para o desfiladeiro Branco visitei um rochedo com inscrições de várias épocas e alfabetos realizadas por peregrinos que atravessavam as montanhas desérticas.
Apreciei o interior serpenteante do desfiladeiro e as suas interessantes formas arredondadas provocadas pela erosão da água ao longo de milénios. Ele desemboca num vale onde se situa o esplêndido e muito encantador oásis Ein Rhodra. Este oásis possui nascentes que permitem encher tanques de água cristalina e irrigar o arvoredo em redor. Aqui habitam três famílias de beduínos que dão guarida a todos os viajantes que passam. Dormi sob as estrelas e acordei com o agradável chilrear de múltiplas aves que saltitavam à minha volta.
Atravessámos o Sinai fora de estrada e descemos um longo desfiladeiro que desemboca na longa praia Ras Abugalum na margem do mar Vermelho. Aí fiz a travessia, sob as elevadas montanhas costeiras, até à localidade seguinte, num aprazível percurso de poucas horas à beira deste mar verde esmeralda. Passei alguns abrigos de pescadores situados em enseadas e vales pedregosos e segui a margem rochosa que ondula contornando falésias e promontórios.
Atravessei o mar Vermelho para Aqaba na Jordânia e segui para a aldeia de Rum, situada na borda do célebre deserto onde se refugiou Lawrence. Esta região é conhecida pelos seus belíssimos promontórios rochosos, desfiladeiros e a sua areia dourada.
Caminhei por estreitas gargantas onde se avolumam dunas contra as paredes rochosas de elevadas falésias. A superfície da rocha é dotada de esplêndidos padrões criados pela erosão do vento canalizado nestes corredores. Mais à frente desemboca-se num largo vale onde encontrei mulheres nómadas vestidas de preto pastando burros e cabras nas raras giestas. Por perto havia grandes tendas onde habitavam.
Depois continua-se ora por espaços amplos muito panorâmicos, ora por entre uma geografia mineral cheia de curiosas formas onde se incluem curiosos arcos de rocha.
São de intensa beleza o crepúsculo e a alvorada onde os rochedos adquirem tonalidades admiráveis e vão variando consoante a intensidade do sol.
Dormi sempre ao relento apreciando o céu densamente estrelado e a passagem de estrelas cadentes, que deixam um rasto muito luminoso, são muito frequentes.
A fauna é escassa devido ao clima e dizem-me que podem encontrar-se ibex, chacais, cabras selvagens, águias e abutres, e que o gato das areias é estritamente nocturno.
Viajando mais para norte, cheguei à mítica cidade de Petra. No dia seguinte, passei o portão que conduz à garganta Siq às 6h. Atravessando os 1.2 km deste apertado desfiladeiro fui o primeiro a deparar com a impressionante fachada do Tesouro, Al Khazneh, inteiramente esculpido na rocha tal como todos os outros grandiosos monumentos de Petra. O requinte desta arquitectura bizantino-romana deixa-nos maravilhados sobretudo tendo em consideração a dificuldade em conceber estas fachadas escavadas de uma só peça!
Esta foi a fantástica capital do reino nabateu muito rico e poderoso no início da nossa era e que enriqueceu à custa das taxas alfandegárias impostas sobre o comércio de caravanas. Mais tarde viria a ser subjugado pelo império romano (séc II dC).
Subi ao alto do monte Al-Madbah onde se situa o Sacrifício e donde apreciei um largo panorama da geografia da cidade. Esta é composta por uma sucessão de elevadas falésias e promontórios onde a cidade foi escavada. Desci pela outra vertente por uma escadaria escavada na rocha e continuei muito interessado na descoberta dos inúmeros templos, palácios, habitações, túmulos e demais câmaras trogloditas que nos aparecem ao dobrar de cada esquina. Passando a avenida das colunas onde se encontram grandes templos nabateus e bizantinos, subi a longa uma escadaria que conduz ao mosteiro, Al Deir (séc III aC), situado no alto de um monte em local recatado. Esta foi a fachada que mais me atraíu pela sua grandeza e imponência, e também por se encontrar em local tranquilo onde poucos turistas chegam.
No regresso passei pelos túmulos reais, percorri a avenida das fachadas e visitei o grande teatro (séc I dC) ao ar livre com sete mil lugares inteiramente esculpido na rocha!
Depois segui para Kerak onde visitei o seu grandioso e maciço castelo de cruzados construído no séc XII. Situa-se no topo de uma elevada colina e uma das suas muralhas eleva-se a 450m de altura. Passeio pelas suas diversas galerias e câmaras, algumas com inscrições do tempo dos cruzados e do período bizantino, e pelas muralhas donde apreciei um excelente panorama em redor.
Segui para o mar Morto onde caminhei na sua margem. Visitei a igreja ortodoxa de Madaba que alberga um excelente mosaico do séc VI dC e que representa um mapa dos locais bíblicos desde o Líbano ao Egipto. Subi o monte Nebo, do alto do qual supõe-se que Moisés tenha avistado a Terra Prometida. É o local cristão mais venerado da Jordânia. O seu pequeno mosteiro do séc VII contêm amplos e belos mosaicos dessa época onde se observam cenas de trabalho rural com vegetais e animais, muitos já extintos: leões, panteras, ursos e raposas.
Continuando para norte, visitei Jerash, uma muito interessante e bem conservada cidade romana do séc II. O seu teatro está inalterado e o seu fórum mantêm todas as colunas erectas. Passeamos nas suas elegantes avenidas calçadas ladeadas de colunas e visitei o arco triunfal de Adriano, o hipódromo, o grande templo de Zeus, o ninfeu (chafariz), os banhos e muito mais.
Depois atravessamos a fronteira para a Síria, e desviamos para Bosra. Esta vila foi a capital do norte do reino de Petra no séc I dC. Toda a vila está construída sobre edificações romanas e é dominada pela cidadela onde se encontra o teatro, o mais bem preservado de todos os teatros romanos existentes e um dos maiores com os seus 15,000 lugares. Aqui também se encontram os banhos, o ninfeu, as calçadas romanas ladeadas de colunas, etc. Os seus templos são de grande antiguidade tais como a mesquita de Omar (séc VIII), uma das mais antigas no Mundo, o mosteiro do séc IV e a basílica, muito arruinada, do séc VI.
Na antiga Damasco, no interior das espessas muralhas romanas atravessadas por grandes portões, visitamos o interessante Museu Nacional que tem a fachada de um palácio-castelo do deserto do séc VII. As antiguidades que apresenta são imensas e variadas e algumas remontam ao séc XIV aC. Seguimos para a monumental mesquita Omaiada (séc III dC) que é metade mesquita e metade igreja e que por este motivo possui uma interessante história. Aqui se encontra o mausoléu de Saladino, o conquistador egípcio de Damasco (séc XII). Perto visitamos o elegante palácio Azem, a residência do governador otomano. Caminhamos ao longo da rua direita através do curioso bairro cristão visitando as históricas igrejas de São Ananias e de São Paulo. Continuamos para a bonita mesquita Teikieh Suleimanieh (séc XVI) na margem do rio Barada. Ao lado situa-se um antigo caravanserai otomano do séc XVI que é hoje um pitoresco mercado de artesanato.
Chegamos finalmente a Palmira, a célebre cidadela romana fundada no séc II dC, um dos mais ricos e completos locais arqueológicos romanos da actualidade. A cidade foi muito próspera devido ao comércio das caravanas que demandavam o Mediterrâneo provindas da Ásia central, e também por ter sido um importante ponto de defesa do império romano contra o poderio dos persas. Nos seus actuais 50ha, oferece-nos uma grande variedade de interessantes edificações e de arte, a destacar os grandes templos, a longa avenida ladeada de colunas, o grande teatro, o agora ou fórum, as torres funerárias, o arco triunfal, os tetrapilões. Visitamos o museu que apresenta uma excelente colecção de estatuária. Ao longe veremos o enorme castelo árabe do séc XVII no alto de uma colina.
Depois partimos para outro dos grandes monumentos desta viagem: o Krak des Chevaliers.
Esta imponente e massiva fortaleza de cruzados do séc XII tinha um importante papel estratégico no controlo do tráfego entre o Mediterrâneo e o interior do País. O seu estado de conservação é notável e aí se fundem os estilos franco e árabe. Ainda hoje poderemos apreciar os grandes caldeirões donde se vertia o óleo em ebulição sobre o invasor.
Mais locais visitaremos nesta viagem pelo que não é possível descrever com fieldade a enorme riqueza que ela nos irá oferecer.
Acresce que, no seu decurso, houve momentos especiais que me marcaram bastante mas que não correspondem a algum dos grandes atractivos de nome sonante.
Destaco a dormida no oásis de Ein Rhodra. É quase o que vemos nos filmes com a diferença de que este é bem real. Situa-se numa zona muito desértica e agreste, e o bem-estar que senti quando aí cheguei foi marcante. Gostei de dormir ao relento e de acordar à primeira luz com dezenas de aves à minha volta, que não se assustaram com o meu olhar e que observei longamente.
Os longos crepúsculos no Wadi Rum, à beira de uma fogueira, são outros momentos de grandes tranquilidade e beleza que muito apreciei.


Gonçalo Velez
Junho 2001

Friday, March 16, 2001

A Altitude

O fenómeno da altitude é algo que irá sentir durante os nossos passeios em diversas elevadas montanhas, normalmente acima dos 3000m.
Ele é um pouco incompreendido e nada tem de pernicioso, sendo outro factor climático tais como o calor, a humidade, o vento, a exposição solar que, em demasia, requerem um período de adaptação.
O nosso organismo está habituado a captar o oxigénio do ar a uma pressão atmosférica perto do nível do mar. Subindo em altitude essa pressão vai decrescendo e os nossos alvéolos pulmonares terão de fazer maior esforço para captar a quantidade habitual de oxigénio. É por este motivo que, nos primeiros dias em altitude, nos sentiremos ofegantes se quisermos caminhar a uma passada rápida. De igual modo, uma subida muito rápida também não consegue ser bem assimilada pelo organismo.
Se planearmos a ascensão de forma adequada, o organismo irá reagir com moderação criando uma maior quantidade de glóbulos vermelhos no sangue. Com o passar dos dias você sentirá que o esforço já não lhe custará tanto como no primeiro dia.
Esta alteração da composição do sangue não tem quaisquer efeitos negativos e durará enquanto você permanecer em altitude. De regresso a casa sentiremos claramente que temos maior capacidade para produzir esforço.
Um aspecto importante a ter em conta durante a ascensão é não nos esforçarmos demasiado para não provocarmos um desequilíbrio. Caminhe a um ritmo confortável. Se tiver que parar para recuperar o fôlego isso significa que a sua passada é apressada. Procure a passada ideal que lhe permita caminhar durante tanto tempo quanto queira a subir sem necessidade de descansar.
A vida em altitude implica vigiarmos atentamente a nossa saúde e cumprirmos alguns requisitos essenciais:
a) Devemos hidratar-nos sempre mais do que o costume. Na montanha o ar é muito mais seco, o que gera uma maior perda de vapor de água pela respiração. É algo a que não estamos habituados e por isso temos dificuldade em notá-lo. Também o exercício físico diário provoca maior perda de água pela transpiração. Em altitude, os raios solares são mais intensos e são outra fonte de desidratação.
Por isso lhe recomendamos que beba com muita regularidade, mesmo que não tenha sede, com reforços em excesso ao pequeno almoço e ao fim do dia. Uma boa hidratação do organismo possibilita uma recuperação mais rápida da fadiga, e não sentirá os músculos doridos (o que acontece no caso contrário).
A hidratação no final do esforço é a mais importante, pois durante o dia não conseguirá beber tanto quanto necessário. Prefira água morna ou quente (chá, sopa), pois o organismo absorve-a melhor, e concentre-se em conseguir absorver o mais possível. Tente conseguir duas urinas abundantes entre o final da etapa e o deitar. Uma urina transparente significa que o organismo está bem hidratado. Mantendo sempre uma boa hidratação do organismo possibilita uma recuperação mais rápida da fadiga muscular durante a noite. Durma com o cantil à cabeceira e beba de cada vez que despertar.
b) Numa viagem com predominância de esforço físico é vital repor as calorias gastas em cada etapa. Note que não é necessário comer muito, desde que se coma o que é correcto. As suas refeições devem ser sempre muito ricas em hidratos de carbono (arroz, massas, batata, cereais, feijão, biscoitos, etc) para repor as reservas de energia que gastou durante o dia. O seu suprimento far-se-à sobretudo ao jantar, pois a refeição de meio do dia deve ser frugal, tipo pic-nic, para que não prossiga a etapa com uma digestão pesada.
c) Procure dormir bastante para se restabelecer: é possível dormir 9 a 10 horas por noite.
Tenha o cuidado de dormir sempre bem quente; se tiver frio vista mais roupa e encha o saco-cama com toda a roupa que tiver, inclusive a dos seus companheiros. Se tiver frio nos pés durante a noite, despeje a mochila e enfie o extremo do saco-cama dentro dela.
d) Não apanhe frio, e sobretudo não tome banho em ambiente frio (por ex. à noite), pois este prejudica seriamente a adaptação à altitude além de que poderá constipar-se. Note que uma constipação irá atacar-lhe os brônquios, e reduzir-lhe a captação de oxigénio.
A doença de altitude: Manifesta-se numa primeira fase com dores de cabeça e respiração ofegante. Não é preocupante, sendo até normal. Nos primeiros dias você irá sentir-se ofegante ao mínimo esforço, depois notará que esse efeito se reduz com a progressão da aclimatação.
Não tome qualquer medicação enquanto estiver em altitude, especialmente antibióticos e comprimidos para dormir. Os primeiros enfraquecem bastante, os últimos poderão ser fatais. Os efeitos tanto dos medicamentos como do álcool são largamente ampliados pela altitude e podem ter efeitos imprevisíveis e nefastos.
Numa fase mais avançada, a doença da altitude manifesta-se através de um início de edema:

a) cerebral - náusea, vómitos, perda de apetite, ou
b) pulmonar - respiração muito ofegante com rápidas batidas cardíacas, mesmo em repouso, e tosse violenta.
Em ambos os casos a pessoa atingida não deverá prosseguir. Se, passados um ou dois dias à mesma altitude, o seu estado se mantiver ou piorar, ela deve perder altitude rapidamente.

Thursday, June 08, 2000

A Protecção do Frio

Em Portugal temos muita aversão ao frio, talvez pela nossa génese mediterrânica muito ligada ao clima cálido das terras áridas do norte de África.
Por outro lado, nunca investimos seriamente no conforto tendente a proteger-nos do frio e por esse motivo sofremos.
O inverno em Portugal dura tão pouco...
Quantos estabelecimentos públicos encontramos aquecidos durante o inverno? Quantas torneiras em lavatórios nesses locais deitam água quente? Inclusive, para nosso infortúnio, muitas dessas casas têm as portas abertas para a rua! As nossas próprias habitações também são pouco adequadas, do ponto de vista da técnica e dos materiais, para nos isolar eficazmente dos calafrios.
Por estes motivos sofremos com o frio e dele temos má memória. No entanto, o ar frio poderá ser mais saudável pois é mais seco e mais convidativo ao exercício e à actividade. E afinal, os desportos de inverno são um grande prazer para muitos.
O princípio da protecção do frio é o isolamento:
Por um lado, a roupa que usamos não deve deixar entrar ar frio. As mangas das camisolas devem estar justas aos pulsos e as calças devem apertar no tornozelo. O mesmo se aplica à gola e ao acabamento da cintura.
Por outro, a roupa que vestimos deve ser capaz de conservar uma camada de ar quente junto ao corpo. Quanto mais intenso for o frio mais espessa deve ser essa camada que pode ser composta por três a cinco peças de roupa: desde a camisola interior térmica ao casaco impermeável ou casaco forrado, que em último caso poderá ser um espesso casaco de plumas.
Ao invés, há quem julgue erradamente que um bom impermeável aquece só pelo motivo de que não deixa entrar o vento!
Nenhuma roupa aquece pois quem o faz é a energia do nosso corpo. A função dos agasalhos é a de conservar o mais possível esse calor junto ao corpo. Para isso é necessário recorrer a fibras e a materiais que sejam densos para que conservem o ar quente. A construção do agasalho não deve permitir que esse ar quente escape. Um exemplo contrário deste aspecto é a camisola de lã que, sujeita ao efeito do vento, deixa de oferecer protecção.
A lã tem sido tradicionalmente a fibra de eleição em todos os continentes, só recentemente começando a ser substituída. Hoje já se vulgarizaram diversas fibras sintéticas que são muito confortáveis e têm alta densidade, além de que são leves, muito rápidas a secar e fornecem equivalente grau de respirabilidade. Todos estes factores destronam a lã...
O material tradicional que ainda não foi ultrapassado em desempenho é a penugem de ganso e que serve para forrar casacos e sacos cama. As suas leveza, compressibilidade e conforto mantêm-se imbatíveis.
Há outro factor fundamental para que a protecção do frio seja eficaz: é primordial manter uma boa circulação do sangue.
Muitas vezes no campo ouvimos pessoas queixarem-se de que têm os pés gelados. Todas são aconselhadas a afrouxar os atacadores e passados alguns minutos de exercício quase todas começam a sentir calor nos pés pois a circulação normalizou-se. Quem o não sente ou tem as meias molhadas (na véspera teve o cuidado de secar as meias?) ou as botas demasiado justas. O mesmo se aplica às luvas, não só à pressão que possa ser exercida nos pulsos por um elástico muito apertado, como também na base dos dedos nos casos em que as luvas têm costuras volumosas ou estão muito justas à mão.
Há outro aspecto importante que se descura frequentemente que é a protecção da cabeça. Esta tem uma superfície muito grande e por lá perdemos muita energia. Devemos manter a cabeça sempre coberta com um barrete que nos cubra desde a testa à nuca. Se acampamos, é recomendável conservar o barrete durante as 24h do dia.
O mecanismo de sobrevivência que o nosso organismo utiliza em situações críticas de frio é o da selectividade. Os órgãos para os quais o fluxo de sangue acorre com maior prioridade são o cérebro, os pulmões e órgãos principais alojados no tronco. Os que ele sacrifica em favor destes são as extremidades: mãos e pés.
O seguinte exemplo é plausível: imagine que anda a passear ao ar livre de mãos calçadas com luvas de lã e a cabeça descoberta, exposta ao vento frio. Seria estranho sentir frio nas mãos, mas é verdade. Mas se cobrir a cabeça verá que em pouco tempo a sensação de frio nas mãos diminui. Porquê? Havia uma grande quantidade de energia desperdiçada que era utilizada para proteger a cabeça. Após cobri-la, essa energia já pode ser distribuída por outras partes do corpo onde seja mais necessária.
Recomendamos, por último, que adquira equipamento de qualidade pois no momento em que estiver a viver condições difíceis irá agradecer-se francamente a boa decisão que tomou!

Thursday, March 16, 2000

Patagónia e Terra do Fogo, Argentina e Chile

Cheguei a Puerto Natales numa tranquila e luminosa tarde de primavera. Esta aldeia piscatória chilena da província de Magallanes situa-se no interior de um grande fjord e parece flutuar nas suas águas. Ao longe vêem-se inúmeros cumes rochosos nevados e a ponta de alguns glaciares que flúem para a lagoa.
Daqui parte-se para o parque nacional das Torres del Paine, o que mais me entusiasmou em toda a viagem. No caminho vamos observando bandos de guanacos (espécie de lamas) que são muito dóceis, e flamingos e cisnes nos lagos. A paisagem da Patagónia é uma planície de estepe desértica onde os horizontes são muito vastos, com gargantas cavadas por rios revoltos e elevadas mesetas talhadas pela intempérie. De vez em quando vê-se ao longe um oásis de arvoredo verdejante e percebe-se que aí se situa uma estancia. As estradas são de terra batida e detectam-se outros veículos ao longe pela coluna de poeira que levantam. Os veículos são equipados de uma rede de metal que lhes protege o pára-brisas. Frequentemente detectam-se sobre alguma colina os gaúchos a cavalo que vigiam as ovelhas de pelo longo e espesso.
A flora do parque de Paine é muito variada, florida e colorida em meados de Dezembro. Abundam os lagos, os ribeiros, as torrentes e as cascatas, algumas caem do alto dos rochedos. Há uma grande diversidade de agulhas rochosas e de formações geológicas admiráveis de que destaco as elegantes Torres del Paine, que ilustram a capa do catálogo deste ano, e os formidáveis Cuernos del Paine. A visão destes acompanhar-nos-á durante várias etapas de marcha.
Sempre imaginei que o clima sub-ártico destas paragens deveria ser muito frio. Mas durante a minha estadia gozei sempre de um sol radioso e caminhei em manga curta. Também sabia que as condições meteorológicas poderiam ser radicais e estava curioso em saber de que forma.
Um dia apanhei um vento tão forte como jamais tinha sentido! Caminhava ao longo do lago Nordenskjöld, felizmente com o vento pelas costas, e frequentemente era empurrado (às vezes erguido) para fora do carreiro. O vento levantava as águas da superfície do lago e elevava-as em nuvens que avançavam por terra dentro. Só no intervalo das rajadas era possível fotografar sem tremer, mas mesmo assim tinha de apoiar-me num rochedo.
O lago Grey está situado num sector em que o vento parece nunca abrandar. Tem um refúgio na margem donde apreciamos inúmeros pitorescos icebergs vogando para sotavento. É formado pelas águas do imenso e longo glaciar Grey que flúi para o lago e vai largando grandes blocos de gelo.
Estava apreciando o fim de tarde na margem do lago quando passou uma raposa caminhando tranquilamente mirando em redor.
É aliciante a longa duração dos dias nestas paragens: nesta época o dia dura 18h e o crepúsculo dá-se lá para as 22h! Desta forma os dias longos aproveitam-se muito melhor.
Visitei depois o parque de los Glaciares onde realizei duas etapas de marcha para aproximar-me das várias esplêndidas agulhas dos sectores dos montes Fitz Roy e Cerro Torre que se elevam acima dos seus glaciares. Ambas possuem bonitos lagos de cor verde que são alimentados pelos gelos.
Esta cumeada situa-se no limite do conhecido Hielo Continental de que o glaciar Perito Moreno é uma monstruosa amostra. Iremos até ao mirante donde se aprecia a sua colossal estrutura com mais de sessenta metros de altura e onde poderemos ter a sorte de ver a derrocada de algum grande bloco de gelo que cai na água com estrondo.

A fauna deste parque é variada e vi inúmeros casais de gansos (cauquéns) e de patos, muitos com crias, nos lagos à beira do carreiro. Durante a descida da Laguna de los Tres tive um encontro muito interessante com um grande pica-pau patagónico macho, de cabeça escarlate. Deixou-me observá-lo e fotografá-lo a cinco metros de distância durante o tempo que eu quis enquanto bicava um tronco de árvore tombado à procura de larvas. Também vi alguns majestosos condores planando nos ares em busca de presas.
Acima de tudo, o que mais me surpreendeu na Patagónia foi o céu: vasto e muito luminoso, o ar límpido, as nuvens impelidas pelo vento e em constante mutação dando-lhe múltiplas e curiosas formas.
O voo que nos leva a Ushuaia na Terra do Fogo atravessa um território inóspito e despovoado, com imensas florestas, lagos e montanhas onde se vêem alguns glaciares descendo dos seus flancos.
Esta vila no fim do Mundo está envolta em cumes nevados e é muito panorâmica. O canal Beagle atravessa o continente à sua frente e dá-lhe um amplo desafogo e uma tremenda luminosidade.
Ushuaia começou por ser terra de degredo, cuja penitenciária está transformada em museu. A seguir vieram os pioneiros: madeireiros, mineiros e pescadores. O clima é muito agreste e rigoroso e as comunicações são muito difíceis. Comprei um curioso mapa que assinala os naufrágios naquelas costas desde o séc XVII e os seus ícones contam-se às muitas dezenas. Não é por acaso que os ventos na região são conhecidos por the roaring forties. A vida aqui é muito difícil sobretudo durante o inverno austral.
Naveguei no canal até aos ilhéus que estão a meio e onde existem colónias de lobos marinhos. São várias as dezenas de animais que jazem sobre os rochedos, comprimidos uns contra os outros, normalmente de ventre para o ar. As gaivotas esvoaçam por entre eles à procura de restos de peixe. Às vezes vê-se passar um pinguim nadando, possivelmente migrando para outro ilhéu. Desembarcámos e fomos conhecer alguma da sua interessante flora endémica e estivemos bastante tempo a observar e a fotografar uma colónia de cormorans que nidificam numa falésia ao abrigo do vento.
Percorri o caminho costeiro do parque da Tierra del Fuego através de uma Natureza bem conservada e nada perturbada. Passei por curiosas zonas alagadas devido aos diques construídos pelos castores onde muitas árvores foram por eles derrubadas. Numa dessas clareiras estive observando uma enorme colónia de chimangos, uma ave de rapina aparentada à águia, e que também não se perturbaram com a minha presença.
Percorri a pé um bom troço ao longo do rio Lapataia e pude constatar que as aves lacustres abundam em quantidade e em variedade. É um grande prazer ver garças debicando o lodo da margem, bandos de patos levantando voo ou as gaivotas que buscam crustáceos.
Você não poderá abandonar a Argentina sem experimentar o maté. Esta espécie de chá exclusivo do País é preparado em recipientes próprios, normalmente uma cabaça, e sugado por uma palhinha, a bombilla. Tomar um maté é essencialmente participar num ritual social muito enraízado na cultura argentina em que se partilha uma bebida quente e confortante de sabor acre. Se vir as pessoas no autocarro, na praia ou caminhando na rua com um termos na mão saberá que essa água servirá para preparar um maté.


Gonçalo Velez

PS: Consulte os programas de viagem nas Patagónia e Terra do Fogo em www.rotasdovento.com

Monday, January 10, 2000

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