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Os qasr, celeiros fortifcados
Na estrada de Tripoli para sudoeste, a caminho de Gadamés, passamos por dois celeiros fortificados muito interessantes.
Qasr Al Haj, o maior celeiro da Líbia, data do séc XII, e é um belo exemplo de arquitectura berbere, de planta circular. Servia para conservar e para proteger as reservas de alimentos da população da aldeia contígua. Cada família possuía uma dispensa onde armazenava o azeite, em ânforas, e o cereal em células balizadas por madeiras.
Deambulei pelas ruínas da aldeia em redor onde muitas habitações ainda possuem cobertura.
O qasr tem 114 despensas com portas de madeira de tamareira, quatro pisos, onde se guardavam principalmente azeite em ânforas, trigo e cevada. Deixou de ser usado em 2000.
Na entrada tem uma exposição muito interessante de utensílios antigos utilizados em casa e na cozinha, no trabalho agrícola e na guerra ou na caça.
A gestão do celeiro era realizad
a por um “secretário” que era a única pessoa autorizada a entrar no celeiro e a manusear os víveres.
O celeiro de Nalut, mais adiante na estrada, situa-se num alto à beira de um promontório e está circundado pelas ruínas da antiga aldeia.
Esta região foi muito rica na produção de azeite e por isso possui dois lagares no centro da aldeia antiga, um dos quais activo até ao final do séc XX e quase intacto. A aldeia antiga está em ruínas, mas as suas três pequenas mesquitas estão conservadas. A mais antiga, reconstruída no séc XIV, tem curiosas inscrições em alto relevo nas paredes e nos tectos. Uma delas, um pé descalço, adverte os fiéis de que têm de entrar descalços.
O celeiro fortificado tem uma inscrição que indica ter sido reconstruído no séc XIII. Tem uma planta irregular próximo do quadrangular, e o interior das muralhas de adobe e de pedra parece um bairro habitacional onde se circula em vielas muito estreitas subindo e
descendo.
Possui 400 despensas, cada uma com reservatórios para cereal e grandes ânforas para azeite. Para subir-se aos celeiros dos níveis superiores estão cravadas no adobe pedaços de rocha protuberantes que servem de degraus. No topo dos edifícios sobressaem cotos de madeira de tamareira onde se pendurava uma roldana e de que se içavam as cargas.
Ghadamés
Junto à fronteira com a Argélia e a Tunísia, situa-se Ghadamés. Foi desde sempre um oásis de importância estratégica na rota das grandes caravanas de dromedários que atravessavam o deserto provindas do Niger e do Mali e que se dirigiam para a costa. Foi durante séculos uma das mais importantes cidades caravaneiras de todo o Sahara aonde chegavam, vindos do sul, escravos, metais preciosos, marfim, sal, tecidos, especiarias, perfumes, etc.
Os romanos e os bizantinos que a dominaram já entendiam a importância da sua situação. A cidade antiga é um assombro de encanto e de surpresa: parece uma cidade subterrânea, mas não é! Estima-se que foi fundada no séc XIII por tribos berberes. Está envolta em muralhas, e as habitações de dois pisos encontram-se amalgamadas umas às outras ao longo de um labirinto de vielas cobertas onde se caminha longamente na penumbra.
O ambiente é enigmático e insólito, e ao mesmo tempo belo por que se evolui ao longo de diversos tons de sombra desde a quase-escuridão à claridade.
A cidade divide-se em dois bairros habitados cada qual por uma tribo, estas dando origem a sete grandes famílias
. Por isso há sete vielas principais e o mesmo número de portões de entrada na cidade, mesquitas, escolas e de pracetas.
A arquitectura desta cidade está concebida para se suportar os quase 50ºC no verão: construção em adobe, poços de ventilação, pequenas aberturas para o exterior nos tectos.
Perto de cada mesquita as vielas abrem-se numa pequena praceta, um local de encontro com bancadas largas. Ainda hoje os anciãos vestidos de jelabas e de óculos com vidros espessos aí se sentam esperando pela companhia de alguém conhecido.
A cidade foi mandada evacuar pelo Estado que quis impor a modernidade e construíu outra ao lado. Infelizmente as novas casas não estão adaptadas aos rigores do verão! Todos os antigos moradores mantêm a propriedade das suas casas e muitos estão a restaurá-las visando um futuro benefício no âmbito do turismo pois a cidade está classificada como Património Mundial
pela Unesco. Visitei casas em estado de abandono e apreciei as decorações antigas nas paredes, e subi aos terraços.
Todas as habitações têm um terraço pois a luz é recebida por uma abertura na cobertura.
O terraço é um espaço reservado à mulher, é o seu espaço de convívio com a vizinhas pois não pode saír à rua ou ter contacto com homens que não são familiares.
O guia mostrou-me como um homem e uma mulher batem à porta de uma casa de forma diferente para se fazerem anunciar. Se um homem batesse à porta e ela estivesse só, não poderia abri-la.
Também me mostrou as decorações nas portas de famílias que tinham viajado para Meca para cumprir as suas obrigações religiosas: inúmeros pequenos pedaços de pano verdes e vermelhos pregados à porta.
Dentro das muralhas ainda
há espaço para hortas, capoeiras e pequenos currais de cabras protegidos do sol implacável pela sombra de conjuntos de tamareiras.
Frente à entrada principal da cidade está uma grande piscina de água transparente que provém de nascente e que é canalizada para todo o burgo por canais subterrâneos.
Junto de cada mesquita passa um canal e existem recintos destinados às abluções antes da reza.
Os lagos Ubari
Surpreendentemente, as estradas na Líbia têm um bom piso e permitem velocidades “elevadas”. Percorremos os cerca de 1000 km de Gadamés a Ubari, passando por Sebha, em perto de 8h.
Os lagos Ubari situam-se no meio do areal imenso e estão envolvidos por grandes dunas. Antigamente eram uns dez, e hoje resistem três. Ao contrário do que se possa imaginar, o deserto interior da Líbia possui reservas subterrâneas de água doce em quan
tidades imensas. São reservas acumuladas ao longo de milhões de anos e cujos lençóis estão a poucos metros da superfície.
Não há dúvida de que os oásis na região são muito férteis e verdejantes: observei muitas hortas no meio dos palmeirais e largos campos de trigo.
Os lagos Ubari eram habitados por um povo sedentário que viveu em grande pobreza e subdesenvolvimento por ter escassas fontes de alimento. No lagos pescava uma artémia, um marisco do tamanho de uma pulga de praia, que era a base da sua alimentação.
Há vinte anos, os lagos começaram a conter mais sal do que o suportável e estes habitantes tiveram de ser realojados.
A visão dos lagos no meio das areias é insólita. O mais longo tem cerca de 500m de comprido, e estão marginados de vegetação.
Restam ruínas de habitações, bancadas de secagem dos crustáceos, algum poço tapado de areia, uma mesquita e tufos dispersos de tamarindos e de tamareiras, estas com metade do tronco mergulhado na areia.

O maciço de Maghidet
Para uma caminhada no deserto, procurava uma região pouco frequentada e tranquila. A Líbia ainda não tem muito turismo, mas todos os viajantes utilizam um jeep e vão querer cruzar as dunas, por que é excitante. O incrível é que estes trilhos demoram meses a desaparecer e isso reduz a sensação de isolamento. Um trilho que observo hoje parece ter sido sulcado horas atrás, mas provavelmente foi-o há semanas ou há meses, se não tiver havido grandes vendavais!
Assim, seleccionei o maciço de Maguidet, pouco conhecido entre os operadores de viagens. Situa-se a sul de Ghat sobre a fronteira com a Argélia, no sudoeste do País.
Para realizarmos a caminhada precisávamos de dromedários. Assim trilhámos uma região onde nos tinham dito que
os pastos eram bons e onde permaneciam algumas famílias de nómadas.
Na realidade tinha bastante vegetação de giestas e de outros arbustos rasteiros. Mas, os nómadas não se encontravam perto dos animais e isso obrigou-nos a pesquisar vários quilómetros em redor.
Curiosamente, o nosso motorista, o Mansoor, encontrou o seu dromedário fêmea favorito que acariciou longamente com emoção e a quem ofereceu pão duro! Ele tinha confiado os seus animais a uma das famílias, sua parente.
Os primeiros nómadas que descobrimos não estavam disponíveis para nos guiar. Estávamos em Fevereiro e os dromedários tinham crias acabadas de nascer que mal se aguentavam nas patas, e eles não queriam abandoná-las.
Finalmente conhecemos um nómada que se dispôs a acompanhar-nos com dois dromedários, e marcámos en
contro para o dia seguinte à tarde. Ele ainda teria de percorrer várias horas a pé até ao local onde queríamos iniciar a caminhada.
O itinerário atravessa zonas rochosas com vales brandos cobertos de areia e de estepe, pequenas dunas com áreas de terra e inúmeros tufos de gramíneas, de giesta e de raros tamarindos raquíticos que resistem solitários.
Notam-se os vestígios da água no centro destes vales pela diferença de coloração e pela vegetação mais densa. Em Janeiro caem chuvas torrenciais que formam verdadeiras torrentes no deserto e isso está marcado nas longas lajes de rocha que foram postas a
descoberto pelas águas.
Passámos alguns túmulos de nómadas construídos de pedra solta, únicos vestígios da sua existência milenar nesta região.
Atravessámos uma zona incrível que parecia uma imensa “floresta” de enormes monólitos desmoronados que se elevam acima de uma areia fina de cor laranja, criando a sensação de percorrermos as ruínas de uma cidade perdida!
A paisagem é muito insólita e cativante por que a todo o mo
mento julgamos reconhecer formas de edificações. Ao longe estende-se um mar de elevadas dunas que se tornam alaranjadas no fim do dia.
O espectáculo à noite, com a luz da lua, é quase irreal e muito belo.
Dormimos sempre sob as estrelas após um jantar à fogueira. Tínhamos bastante tempo para conversar e os guias touaregues falaram da sua cultura.
Os Touaregues
O chá é uma instituição indissociável do seu quotidiano. Logo no primeiro dia à chegada a Tripoli notei que na preparação do chá se concentravam sobretudo em criar uma espuma farta sobre a bebida. O chá no norte de África é preparado com uma quantidade exagerada de açúcar que, vertido de certa altura, produz espuma à superfície. Toda a sua preparação obedece a um ritual rigoroso, e percebe-se que os gestos são automáticos por terem sido repetidos vezes sem conta.
A abundante espuma é sinal de hospitalidade e de amizade. Um chá servido com pouca espuma é encarado como uma grosseria. O Hassan diz que se lhe servirem um chá com pouca e
spuma verte-o na areia, por que é uma afronta.
Ria-se e chamava-lhe “le champagne du désert”.
Os touaregues têm um ditado que diz que “o primeiro chá tem de ser forte como a guerra, o segundo doce como o amor, e o terceiro brando como o espírito”.
Ele contava que, ao contrário da sociedade islâmica, na sociedade touaregue é o homem quem tapa a cara. O homem tem vergonha de a mostrar, e nem aos filhos o faz.
Come virado para o pano da tenda, de costas viradas para os demais, e só à noite poder
á a sua mulher conseguir enxergar a sua fisionomia.
Hoje este costume já não se aplica com rigor, mas os mais velhos ainda o cumprem na presença de estranhos.
Perguntei como se reconhecem as pessoas. Diz-me que é através da estatura e das mãos e dos pés! Sem o conjunto da face, os olhos deixam de ser relevantes, além de que muitos usam óculos com armações espessas de massa. Disse-me que conhece um ancião em Al Awinat que até hoje nunca alguém lhe viu a cara!
Nesta sociedade a mulher é relativamente livre e tem capacidade de escolha do seu noivo. Poderá conhecê-lo no poço ou nas pastagens, e tem liberdade para conversar com ele. No entanto, tem de casar virgem se não o noivo anula o casamento, e a família da noiva tem de indemnizar o seu pai dos gastos do casamento e devolver todo o gado que recebeu como presente.
Os touaregues, um povo tradicionalmente nómada, habita o núcleo central do Sahara ao longo das fronteiras comuns dos Niger, Líbia, Mali e Argélia. Formam uma co
munidade com estreitas afinidade e solidariedade que remonta ao tempo em que a organização política era simplesmente tribal. Possuem uma língua e uma escrita comuns, o tamasheq, e têm liberdade para cruzar fronteiras sem restrições tal como viajavam outrora, sempre em busca de melhores pastagens.
Outrora, a sociedade touaregue compunha-se de nobres, homens livres, artesãos e escravos.
Os homens livres tinham os seus rebanhos e detinham património onde se contavam os escravos. Os artesãos trabalhavam o metal e a madeira, e as suas mulheres o couro e os tecidos. Esta classe vivia dependente da família de um homem livre, tal como antigamente os servos da gleba na Europa, mas recebia uma remuneração e gozava tempo de lazer, ao invés do escravo. 
O pão touaregue é amassado sem fermento, ao contrário do que já provei noutras paragens do norte de África. A sua preparação é insólita: faz-se uma cova na areia que se enche de brasas, depois de a areia estar bastante quente, retiram-se as brasas e coloca-se a massa que se cobre com areia, e recolocam-se as brasas sobre esta areia. Ao fim de vários minutos o pão está pronto e escova-se a areia!
As tâmaras estão sempre presentes pois são o fruto tradicional dos touaregues. Têm muitas calorias e conservam-se longamente.
Ghat
Ghat foi uma antiga cidade-oásis com grande importância para o comércio caravaneiro, e uma das raras urbes onde se estabeleceram e se sedentarizaram famílias de touaregues. Situa-se na fronteira com a Argélia, defronte de Djanet, num cenário admirável com um mar de enormes dunas a sude
ste, ao longe para leste o maciço de Akakus, e mais ao longe para oeste os montes Tassili n’Ajer na Argélia. Foi uma cidade parceira de Ghadamés como entreposto na rota das caravanas.
Visitei o mercado ao ar livre onde expõem comerciantes vindos dos vizinhos Niger e Argélia tal como há séculos. No entanto, o tipo de produtos e de bancas não diferem muito dos das nossas feiras de aldeia. Claro que não faltava a banca de cd’s piratas debitando som com grande estrondo.
Fiquei estupefacto com a estatura dos negros desta região, homens e mulheres, altos, espadaúdos e elegantes. “São descendentes de antigos escravos”, explica-me o Hassan com simplicidade.
Os artefactos típicos desta região do Sahara são os tapetes touaregues kilims, jóias em prata a destacar os colares e brincos que incluem âmbar, coral, conchas, e os punhais cerim
oniais, roupa tradicional, cerâmica, artigos diversos em couro de dromedário, uma multiplicidade de artefactos usados e algumas interessantes antiguidades.
No estilo de Ghadamés, Ghat também tem uma cidade antiga, construída de adobe e com arquitectura de fortificação. Fundada no séc I aC, é um labirinto de vielas cujo urbanismo actual data do séc XII. A sua mesquita foi construída no séc X e tem uma arquitectura africana característica do Sudão. No centro eleva-se um terraço de onde se vigiavam os acessos à cidade, também o local onde se reuniam os notáveis e de onde se dirigiam ao povo.
Dominando-a do alto de um promontório situa-se o estreito e pequeno forte otomano, depois italiano. Daqui avistamos o verdejante palmeiral com as suas hortas e os bairros modernos. Dentro da cidade encontram-se algumas lojas de artigos tradicionais e de velharias.
Maciço de Akakus 
É conhecido pelos seus enormes promontórios negros que se elevam acima da areia do deserto e pelas inúmeras gravuras e pinturas rupestres. Passámos um dia circulando nos grandes espaços entre rochedos, subindo e descendo dunas, em busca desta arte rupestre protegida pela Unesco e classificada Património Mundial.
As pinturas situam-se em cavernas e concavidades da rocha que os raios solares nunca atingem. Vi pinturas ainda coloridas, nomeadamente de encarnado, com figuras humanas, uma das quais chama-se “O Casamento” por estarem um homem e uma mulher juntos com as mãos tocando-se.
É interessante reparar nos detalhes das cenas de há cerca de 12000 anos quando esta região era arborizada e fértil. Vi gravados na rocha v
acas, girafas, elefantes, dromedários, leopardos, cabras bem como cenas de caça e de guerra, e caracteres tuaregues.
Leptis Magna
Situa-se a 120 km de Tripoli e foi fundada pelos fenícios no séc VII aC. Foi conquistada pelos romanos no séc II aC e viria a tornar-se na maior e mais rica cidade romana em África, o seu porto um dos mais movimentados do Mediterrâneo sul.
Aqui se embarcavam animais exóticos, produtos agrícolas (trigo, azeite), peixe seco e a multiplicidade de mercadorias que chegavam nas caravanas que atravessavam o deserto, na rota que passava em Ghat e em Ghadames.
Esses tempos de esplendor estão reflectidos na monumentalidade da cidade onde se notam alguns excessos. Achei incrível a quantidade incalculável de arte que esta cidade encerra! Claro que só pude apreciar escultura e cantaria, mas a qualidade e a quantidade das obras são excepcionais. Aliás, falta conhecer o que ainda está soterrado. A autoria da maioria dos restauros é italiana e pareceram-me adequados, aliás esta arte é originária do seu país.
Admirei o grande arco de Septimus Severus, quadrangular com quatro passagens, revestido a mármore e muito esculpido, que marca o início da longa avenida ladeada de colunas que conduz ao porto.
Nesse caminho passamos pelos imponentes banhos de Adriano construídos em mármore. São dotados de grandes salões e piscinas, e no exterior abre-se um campo para desporto.
Muito próximo situa-se a basílica, um edifício de paredes maciças e intactas com uma envergadura imponente de 90m de comprido, repleto de obras de cantaria em calcário e em mármore que jazem no solo. Apreciei os mármores rendilhados com figuras humanas, vegetais e animais, um trabalho delicado que consegue chegar até nós praticamente intacto!
Do lado sul, situa-se o forum de Severo, um largo terreiro lajeado a mármore e cercado de colunas e de inúmeras estátuas. Noutra avenida que parte do arco, a avenida triunfal, passamos pelos arcos de Trajano e de Tibério para chegarmos ao mercado e ao chalcidicum que contém um templo e, mais adiante deparamos com o portão bizantino.
No mercado conservam-se as bancas de peixe com as medidas de comprimento ainda gravadas na pedra! Os poços e os chafarizes têm os bordos muito sulcados pelas cordas e pelos fundos das ânforas.
Vi as casas de banho públicas com longas lajes dotadas de orifícios em linha, sem separações ou resguardos, obrigando as pessoas a sentaram-se lado a lado, dando a ideia de que as discussões do forum se prolongavam neste recinto.
Muito perto eleva-se o
teatro com as suas bancadas de calcário para 5000 pessoas e a maioria das colunas ainda erectas.
Passeando à beira mar deparamos com obras de cantaria e colunas dentro de água, cobertas de limos!
No regresso a Tripoli ainda houve tempo para deambular no souk, o centro comercial tradicional semi-coberto, e para nos sentarmos na esplanada de um café egípcio e puxarmos umas fumaças de um narguilé.
Nota sobre Segurança
Nos tempos que correm não soa muito bem
passar férias na Líbia! Por que decidi então apostar neste destino?
Achei que o País gozaria de uma boa dose de exclusividade por ainda não ser muito procurado. Desde meados dos anos 80 que o País viveu isolado da comunidade internacional e vigorou um embargo imposto pela ONU até 2006. Neste momento a Líbia está com um desejo enorme de abrir-se ao exterior em todos os campos, incluindo o turismo. Viajar na Líbia é uma experiência idêntica à de viajar-se em Marrocos ou no Egipto, mas com muito menos viajantes!
O País é mais conservador do que estes, vêem-se menos mulheres vestidas à ocidental e quase todas com os cabelos cobertos, mas também vi muitas mulheres conduzindo, até motas. O álcool é proibido e possuí-lo é crime. Não há bares em Tripoli e a vida nocturna, após o fecho dos cafés, resume-se a circular a pé ou de carro em algumas avenidas exibindo as “máquinas” e os seus ocupantes. Em cada viatura são normalmente do mesmo sexo, excepto quando são casais (na mesma noite passei por doi
s Porsche Cayenne!).
Abundam os cartazes de grandes dimensões com o busto de Kaddhafi e o anúncio dos seus 38 anos de chefia do País. Não discuti política com os líbios pois achei o tema sensível, mas fiz perguntas e tentei perceber o que é o regime de escolha popular inventado por Kaddhafi.
No aeroporto de Sebha havia inscrições propagandísticas, uma delas dizia “o regime popular de escolha directa aborta a democracia”.
Achei a Líbia tão ou mais segura do que Marrocos e desconfio que a polícia exerce maior controlo sobre a população. No decurso dos cerca de 2000 km que percorri no País passámos dezenas de postos de controlo onde o nosso motorista tinha de entregar um documento. É uma autorização para empreender a viagem naquele itinerário da qual o guia tirava fotocópias regularmente… Contudo nunca vi um polícia verificar a matrícula das nossas viaturas!
Senti que o regime desconfia dos estrangeiros tomando-os por potenciais espiões. Os hotéis só me devolveram o passaporte quando os abandonei.
Uma medida inofensiva que a polícia exige foi a de ter de entregar o passaporte a um funcionário da nossa agência local para que o apresentasse no posto de polícia mais próximo no oitavo dia de viagem para verificar o visto.
O responsável desta agência informou-me que eles são responsáveis pela nossa “segurança” em todos os momentos em que permanecemos na Líbia.
Achei Tripoli uma cidade muito pacata e, comparada com Marrakech ou o Cairo, uma aldeia!
PS: Visite o site Rotas do Vento onde encontrará o programa de viagem na Libia com este itinerário "Viajando com os Tuaregues no Sahara".
28.05.07
Ontem li um artigo no Herald Tribune que me deixou muito positivamente surpreendido.
Trata-se da existência de uma organização, Kiva.org, com base em São Francisco que constituíu uma rede de relacionamento com dezenas de pequenas organizações locais de auxílio com o propósito de emprestar dinheiro para pequenos negócios.
Em 2006 o Prémio Nobel da Paz foi atribuído a Muhammad Yunus junto com o banco Grameen de que foi fundador. O seu mérito é ter criado e desenvolvido durante mais de 30 anos a actividade de micro-crédito.
Ela consiste em emprestar pequenas somas de dinheiro a pessoas que nunca conseguiriam obter um empréstimo bancário por não terem garantias a prestar e por que nos seus países os bancos praticam usura.
Ajuda realmente todos os que têm capacidade de iniciativa e que são pessoas válidas com potencial para desenvolver um negócio, criar riqueza e empregar outras pessoas.
Acresce que nas sociedades subdesenvolvidas as mulheres são marginalizadas de forma crónica. Contudo, através desta rede elas são avaliadas com objectividade, o mérito do seu projecto, e tornaram-se em maioria na obtenção de empréstimos.O genial da ideia é que os milhões de euros de ajuda externa desbaratados através dos canais governamentais corruptos e burocráticos, poderá passar a chegar intacto a quem mais precisa e a quem tem vontade e capacidade para trabalhar.
O sistema kiva.org é muito interessante pois cada pessoa pode enviar uma ajuda tão pequena quanto USD 25. O seu site na internet é claro pois identifica as pessoas necessitadas, o negócio a que se propõem e quanto lhes falta para completar o investimento.
Sempre suspeitei de ONG's desconhecidas e até de algumas conhecidas, mas o autor do artigo no Herald Tribune, Nicholas Kristof, relata como viajou no Paquistão e foi visitar dois comerciantes a quem emprestou dinheiro através de Kiva: um electricista com loja de reparações e um padeiro com forno a lenha. O relato é engraçado e convincente, e demonstra que esta organização é eficaz.
Clique na imagem para visitar kiva.org e contribua para minorar a pobreza no Mundo!
a) Tarifa
A tarifa é a maior componente do preço do voo e varia consoante a procura:
Dentro da classe económica no mesmo voo, as companhias aéreas atribuem classes de reserva aos lugares, cada classe com o seu preço. Note que as cadeiras e o serviço de bordo ou de terra são os mesmos. A classe de reserva é um artifício e pode acontecer que duas pessoas que viajam sentadas uma ao lado da outra terem pago valores muito diferentes, às vezes com grandes diferenças!
O voo começa a vender-se pela classe de menor preço. Esgotando-se os lugares nessa classe vai-se vendendo na classe de preço imediatamente superior, e assim sucessivamente.
O preço dos voos tem por referência uma tarifa base que é a mais baixa para esse destino. É com esta tarifa que calculamos os preços dos nossos programas.
Por este motivo alertamos os nossos clientes para a necessidade de inscreverem-se antecipadamente a fim de conseguirmos reservas na classe de preço menor. Esta variação de preço não tem padrão pois são as forças de mercado, oferta contra procura, que determinam o valor da tarifa num determinado dia.
Os destinos com muita procura sofrem de acréscimos de tarifa muito cedo. É o caso de muitos destinos em Agosto como Lima e Nairobi, ou Kathmandu e Hanoi em Outubro, ou a maioria deles na passagem de ano.
Às vezes acontece que quatro meses antes da partida para um destino muito procurado as tarifas já estejam em fase ascendente. Não esqueça que a Tap não voa para quase nenhum dos nossos destinos. Por isso reservamos em companhias aéreas que são utilizadas por muitos outros povos europeus, povos esses que, normalmente, decidem os seus planos de viagem muito antes dos portugueses…
Ao invés, também poderá acontecer que a um mês da partida para um destino em época baixa, a tarifa se mantenha reduzida pois a procura não é significativa: a companhia aérea precisa de aliciar passageiros para lhe ocupar o avião.
b) Taxas:
As taxas estão incluídas no preço dos nossos bilhetes de avião, excepto aquelas que o passageiro tem de pagar no local, normalmente taxas de aeroporto que não são possíveis de adicionar ao valor do bilhete pelo sistema de reservas de voos -
b.1 - Combustível, são decididas pela companhia aérea e resultantes de variação do preço dos combustíveis,
b.2 - Segurança, idem,
b.3 – Aeroporto, são cobradas pela entidade aeroportuária e adicionadas ao valor do bilhete.
Quando nos pergunta até quando pode inscrever-se para determinada viagem dir-lhe-emos que na maioria das vezes a restrição são os lugares nos voos. Ou melhor, a restrição é a disponibilidade de lugares nos voos a um preço baixo.
As companhias aéreas hoje têm uma atitude muito agressiva durante períodos de procura elevada chegando a impor-nos a emissão dos bilhetes 72h após a reserva, se não cancelam-nos a reserva. Após este cancelamento, repomos a reserva mas pode acontecer que já não conseguimos lugar na classe de reserva de menor preço e já só encontremos disponibilidade numa de preço superior.
De nada vale perguntar-nos se hoje há lugares a preço baixo pois em poucas horas, ou dias, eles podem ser tomados sem qualquer aviso. Depende sempre do volume de procura para esse destino nesse dia de partida e no dia de regresso dessa viagem. Às vezes há lugares para partir, mas escassos lugares para regressar.
Em resumo, aconselhamos que se inscreva tão cedo quanto possível para evitar custos acrescidos.
O East Anglian Ambulance NHS Trust criou um sistema original de apoio às vítimas em caso de acidente. Os socorristas recorrerão ao telemóvel da vítima para a/o conseguir identificar. Pode tornar o trabalho dos para-médicos mais fácil usando uma ideia simples ao adoptar ICE.
ICE significa In Case of Emergency.
Se você acrescentar na lista de contactos do seu telemóvel ICE, com o número da pessoa que deve ser contactada, In Case of Emergency, você não só poupa imenso tempo aos socorristas como tem os seus familiares a par da situação imediatamente.
Adicione ICE à sua lista de contactos, Já!
Por favor passe esta informação.
Ontem realizámos um passeio no Douro Internacional sem pagar a taxa exigida pelo ICN.Fizémo-lo ilegalmente? Não!O nosso grupo percorreu simplesmente a margem espanhola no Parque Natural de Arribes del Duero exactamente na mesma extensão do passeio inicial. O prazer foi o mesmo, ou até superior, mas custou mais barato.Os espanhóis incentivam a frequência nos seus parques e apresentam restrições razoáveis:"En los Espacios Naturales Protegidos y con carácter general, no están permitidos:- Circular con vehículos fuera de las carreteras y pistas señalizadas para tal fin. - La caza, la pesca y las actividades conocidas como de supervivencia. - La práctica de deportes motorizados. - La acampada libre.- Recoger, arrancar o maltratar rocas, minerales, plantas, animales o cualquier otro elemento natural. - Hacer fuego, excepto en los lugares expresamente habilitados para tal fin. - Introducir y conducir sueltos perros u otros animales domésticos. - Utlizar detergentes o lejías. - Abandonar, depositar y arrojar papeles, botes, botellas, plásticos, basuras o deshechos de cualquier tipo, fuera de los lugares específicamente indicados y preparados a tal efecto."Apesar da existência de aves tão espantosas como abutres, águias e até cegonhas negras nas arribas, não existem proibições ao montanhismo ou escalada, como é tão vulgar em Portugal!Leia as razões por que não concordamos com a imposição de taxas para frequentarmos espaços naturais.PS: Gostaria de realçar um trecho curioso na introdução da declaração do Parque Natural de Arribes del Duero: "Arribes del Duero, situados en el límite occidental de la región, a caballo entre Zamora y Salamanca, conforman una parte de lo que tradicionalmente se ha conocido como la raya con Portugal, lugar de frontera en el pasado y de encuentro en la actualidad."Foto: Alberto Teixeira
Em 2005 o ICN - Instituto de Conservação da Natureza passou a impor o pagamento de uma taxa para o licenciamento de percursos pedestres nos parques e reservas portugueses de acordo com a Portaria nº 164/2005 de 11 de Fevereiro. Esta taxa só se aplica a entidades, lucrativas ou não lucrativas, que organizem actividades nessas áreas protegidas.Sentimos que esta medida é muito inconveniente e desencorajadora por:a) Penalizar os cidadãos que frequentam correctamente os parques, em grupos organizados e planeados por entidades identificadas perante o ICN. b) Irá desencorajar a actividade das empresas que já operam em condições económicas difíceis pois o mercado da procura é brando. Talvez se devesse restringir essa frequência, nomeadamente através de custos de acesso, no dia em que se observar procura abundante, vidé excedente, por parte dos cidadãos e que ponha em risco a conservação da Natureza dos parques e consequentemente obrigue a uma maior intervenção dos serviços do ICN.c) Discriminar: Porque razão têm os clientes ou associados destas entidades, lucrativas ou benévolas, de pagar a referida taxa e não os restantes, que não avisam a sua passagem nem são controlados? Note-se que não são as empresas que pagarão essa taxa, serão os seus clientes ou associados que terão de fazê-lo através do preço do serviço que compram. Tem de haver igualdade entre cidadãos: ou pagam todos os utentes ou paga nenhum.d) Frequentar a Natureza deve ser equiparado a uma actividade cultural. Quer-se encorajar o cidadão a usufruír dos parques e das regiões naturais? Onerá-la é contraproducente. Actualmente, ainda são tão poucos os caminheiros e os amantes da Natureza que estas taxas terão o efeito contrário. Prefere-se manter a elevada taxa de frequência em centros e bairros comerciais e a tradicional praia, ou prefere o Estado educar e formar a sociedade através de actividades alternativas mais saudáveis do ponto de vista físico, cultural e lúdico? Conservar uma região natural é cuidar de um património. Essa é a tarefa de um parque, serviço público, a quem também incumbe facilitar o seu uso consciente e educar e informar os utentes. Onerar a entrada a pé em parques naturais é o mesmo que cobrar um bilhete para se entrar numa biblioteca!Rotas do Vento constitui-se em 1992 com o propósito de organizar actividades de cultura e de lazer na Natureza especializando-se sobretudo em passeios pedestres. O nosso percurso ao longo de catorze anos de actividade tem sido difícil devido à conhecida relutância que os portugueses têm em praticar exercício físico e em afastarem-se dos centros urbanos e das praias. Como agência de viagens licenciada pela DGT, especialista em viagens de aventura, e realizando a grande maioria das suas vendas neste sector, mantemos todavia um interessante programa de passeios a pé de fim de semana em várias regiões de Portugal continental. Os nossos grupos são pequenos e realizamos passeios com um mínimo de quatro pessoas e uma média de 8-10 pessoas por grupo. A produtividade que obtemos neste programa não tem significado comparativamente com o nosso objecto principal, a venda de viagens, mas mantêmo-lo por fidelidade à nossa filosofia de proporcionar contacto com a Natureza e por considerarmos que temos propostas úteis e complementares às viagens, nas quais os nossos clientes poderão manter-se activos durante o resto do ano. Contamos que o ICN reconsidere esta medida controversa e que reponha o regime de isenção com toda a brevidade. Entretanto, decidimos realizar o nosso passeio no Douro Internacional na margem espanhola evitando o pagamento da taxa. Leia mais...
Em 1992, ano da fundação de Rotas do Vento, comecei a planear itinerários a pé em Portugal para criar um programa de passeios de fim de semana. Da Costa Vicentina e Mértola, passando pela Lousã e serra de São Mamede ao Gerês e Montesinho, criei uma interessante rede de programas pedestres em vários pontos do País. Os nossos clientes tinham assim uma forma de se manterem activos durante todo o ano e de conhecerem regiões pitorescas do território.Cada programa tinha um guia associado pois pretendia-se que essa pessoa estivesse à vontade nesses itinerários e serras, e criasse um relacionamento com as pessoas que aí habitavam ou prestavam serviço.Tínhamos vários guias, a maioria de Lisboa e arredores, e nos passeios do norte empregávamos o João Soares que morava no Porto. Com ele planeei passeios no Gerês, Montesinho e Douro a partir de 1994. Mais tarde, lá para 2000, passou a guiar a Lousã e a serra da Estrela.Reconheço que o fez com competência mas, chegamos ao final de 2003 e o João anuncia-me que deixa de guiar para nós e que vai fundar a sua empresa de passeios a pé.O que mais tarde vim a saber foi que esta pessoa e a sua companheira andaram descaradamente, durante pelo menos três anos, a planear o “golpe” e a coleccionar os contactos dos nossos clientes.E passaram a propor alegremente os seus serviços aos nossos clientes, os clientes Rotas do Vento! Que gente honrada, e que bonita ética...!!
Regressei da Gronelândia há dias com a memória a transbordar com uma experiência incrível.15 dias de kayak itinerante nos fiordes, alguns com inúmeros icebergs a vogar, com um animado grupo de 11 espanhóis, 2 italianos e 1 português (além de mim).
Paisagens magníficas, silêncio total, excepto o vento e a água a bater nas rochas ou nas praias, e o desmoronar esporádico de um iceberg.Não encontrámos mais alguém excepto 1 família de inuit (esquimós) que esfolavam uma foca e outro que também tinha caçado uma foca. A temperatura variou entre 24 e 15 de dia, e baixou para os 5-10 à noite.
Também fizémos caminhadas nos montes salpicados de lagos e de flores onde as renas, as raposas e as lebres deambulam (vi uma rena albina). Pescámos peixes e mexilhão, de que fizemos sopa e arroz, comemos foca e baleia, colhemos mirtilhos, acampámos sempre nas margens, fizemos fogueiras e vimos magníficas auroras boreais.
Numa quinta isolada onde acampámos vários inuit colhiam batatas e desafiaram-nos para um jogo de futebol que foi muito disputado e gozado. Ganhámos 8-2.
Acampámos 3 dias junto á calote polar que é um mar impressionante de gelo donde se destacam todos os dias vários grandes blocos que caem no mar.
No fim é duro regressar e voltar a ouvir os automóveis e as televisões...
PS: Visite o site Rotas do Vento onde encontrará o programa Expedição de Kayak na Gronelândia.
Viajar através de vários fusos horários (normalmente mais de três) pode ser muito desconfortável pois desregula-nos o ciclo vital durante alguns dias após a chegada. Alterações no ritmo de vida e no ciclo de sono-actividade causam distúrbios vários que incluem problemas digestivos e gastro-intestinais, dores de cabeça, alterações hormonais, na tensão arterial, na pulsação, no padrão de respiração, na utilização de oxigénio e nos hábitos intestinais, além de sintomas fisiológicos e mentais provocados pela fadiga.
Temos fome a horas inconvenientes, falta-nos o apetite no momento do almoço, não conseguimos adormecer antes da madrugada ou então custa-nos terrivelmente levantar de manhã. Muitas vezes, os primeiros dias de viagem são terríveis e não conseguimos apreciar devidamente o que nos deveria dar prazer pois sentimos um permanente cansaço.
Três dias antes da partida é desejável que regulemos gradualmente os hábitos alimentares e o sono de acordo com os horários no país de destino: se viajamos para leste poderemos passar a deitar-nos e a levantar-nos mais cedo e a adiantar as refeições.
A percepção do tempo pelo nosso organismo é influenciada por factores internos ou somáticos e por factores externos ou conjunturais. Estão definidos cinco factores que condicionam essa adaptação: luz, dieta, exercício físico, interacção social e drogas. Compreendendo a sua acção poderemos utilizá-los para conseguirmos uma melhor adaptação à diferença horária.
Luz - A acção da luz é captada pelos olhos e transmitida para o cérebro onde vai estimular uma série de hormonas que regulam os períodos de actividade ou de sono. Por isso deverá procurar forçar um pouco os horários antes da partida com vista a melhor aproximar-se dos do destino. Quando lá chegar deverá ter a disciplina de dormir somente no período natural.
Dieta - Além da luz, o regime alimentar é um factor importante para definir o relógio biológico do nosso organismo. Este relógio prepara o estômago para receber alimento em momentos diários regulares e causa a produção de sucos digestivos, mesmo antes de cheirarmos quaisquer alimentos. Ele também regula a energia, a força, o estado desperto, e define o momento no final do dia em que sentimos fadiga e o desejo de repousar.
Diferentes alimentos causam reacções diversas: alimentos ricos em proteína (carne, peixe, queijo, ovos, caça) e elevadas calorias ajudam a manter-nos alerta, alimentos ricos em hidratos de carbono (arroz, massas, batata, lentilha, cereais) ajudam-nos a manter um estado de repouso.
Exercício físico - A actividade tende a estimular o organismo e a torná-lo mais desperto. Por isso é eficaz para estabilizar esse relógio no início do dia e tem o efeito contrário à noite.
Interacção social - Normalmente estão incluídas actividades como conversar, sair com amigos, passear em locais cosmopolitas, fazer compras, ver televisão ou visitar museus. Este factor tende a excitar a pessoa tornando-a mais desperta.
Drogas - Os químicos podem excitar ou adormecer consoante a substância. A cafeína é um auxiliar poderoso neste processo e, além do café, ela está contida no chocolate e no cacau. O chá preto também tem um forte efeito excitante, assim como o tabaco e o álcool.
Quando entrar no avião, regule o seu relógio de pulso para a hora do destino e proceda como se já aí estivesse. Não se importe de prescindir de uma refeição. Tenha junto de si uma garrafa de água e beba regularmente durante a viagem para se hidratar, e para fazer funcionar o intestino e evitar a prisão de ventre.
Ao viajar para leste durma. Peça um cobertor e uma almofada, tire os sapatos e calce umas meias espessas, use uma venda e tampões para os ouvidos.
Depois de chegar ao destino deve cumprir de imediato os horários locais, mesmo que tal implique sacrifício. Quantas vezes, ao viajarmos para oeste, e após chegarmos ao hotel somos possuídos por um desejo terrível de adormecer a meio da tarde! Ou o impulso de comer uma refeição abundante no princípio da manhã. Mas, se caírmos nessas tentações só estamos a atrasar um processo que é desejável que se faça o mais rápido possível.
O nosso lema é que o primeiro dia passado no destino é o mais duro e tem de implicar um grande sacrifício. Isto ocorre sobretudo quando viajamos para leste pois não temos sono ao deitar e custa-nos muito acordar de manhã.
Pratique um horário uniforme de sono e de refeições durante os primeiros dias.
Apanhe sol na pele pois o organismo reconhecerá melhor o período em que deve estar acordado. Faça exercício físico de manhã, nomeadamente passeios a pé ou de bicicleta. O exercício físico eleva a temperatura do corpo e, praticado ao fim do dia, funciona como excitante.
Não durma a sesta nem coma fora das refeições.
A Costa Rica é um dos países do Planeta que goza da mais espantosa biodiversidade, tanto vegetal como animal, e deixa qualquer viajante impressionado. Os dados referentes ao número de espécies existentes são incríveis: 850 espécies de aves, muito mais do que em toda a Europa ou toda a América do norte! Por isso, o interesse desta viagem reside na Natureza que iremos apreciar em diversos parques e reservas acompanhados de um guia naturalista. Ele explicar-nos-á os hábitos dos diversos animais e a razão de ser de algumas das suas especificidades relacionadas com o esforço de sobrevivência. Falar-nos-á das plantas e das características de cada tipo de floresta e de como aquelas interagem. Ele sabe inclusive imitar o canto de várias aves ou o som de mamíferos para os chamar ou espevitar enquanto os observamos.
O Parque Natural de Santa Elena é constituído por uma densa floresta secundária de montanha (cloudforest) que está permanentemente húmida devido à presença de uma nuvem que a envolve. A exuberância e o viço da vegetação são extraordinários: foram detectadas aqui mais de 2500 espécies de vegetais das quais inúmeras orquídeas e bromelíadas (foram registadas no País 1200 espécies de orquídeas!). As árvores estão carregadas de plantas epífetas que brotam do tronco e dos ramos, a destacar musgos, lianas, fetos e vinhas.
Avistaram-se no parque cem espécies de mamíferos entre os quais ocelotes, jaguares e macacos, bem como quatrocentas espécies diferentes de aves, entre as quais a mais famosa, o quetzal, que os costa-riquenhos consideram a ave mais bonita do mundo.
Aqui fiz um percurso muito interessante num sistema de pontes suspensas ao nível da copa das árvores da floresta para observar a vegetação e a fauna tomando conhecimento de um mundo desconhecido e que habitualmente não está ao nosso alcance. Gostei bastante de apreciar a floresta do alto e ver o que se passa no topo das árvores. Observei aves, esquilos, borboletas, insectos e macacos. A mais longa das plataformas tem 200 metros de comprido e 42 metros de altura!
O parque nacional Rincón de la Vieja, a norte perto do Pacífico, é dominado por uma longa cadeia de montanhas que se elevam sobre a floresta húmida. Aqui observa-se uma curiosa actividade vulcânica pois no parque existem dois vulcões, o adormecido Santa Maria e o moderadamente activo Rincón de la Vieja. Por isso, há várias fumarolas e piscinas de lama e água em ebulição que vamos descobrindo ao longo da caminhada. O cheiro a enxofre no ar anuncia-nos a proximidade dessas fendas.
Observei longamente um grupo de macacos que se deslocava saltando de umas árvores para outras. Todos tinham uma agilidade equivalente excepto os mais pequenos que seguiam no final por serem mais lentos e mais prudentes.
Há animais que nunca imaginei que subissem às árvores e surpreendeu-me ver um coati (pizote), um roedor do tamanho de uma raposa, à procura de alimento no meio das ramagens. Mais tarde veria também um papa-formigas dormindo no cimo de uma palmeira (a sua actividade é nocturna), bem como diversos grandes iguanas imóveis ao sol sobre as copas de árvores. Presumo que, nos milénios da sua evolução, este foi o artifício que encontraram para escapar aos predadores.
A Reserva da Floresta Primária Laguna del Lagarto situa-se em Boca Tapada no centro do País, perto da fronteira da Nicarágua. A nossa estalagem situa-se no meio da floresta chuvosa secundária (rainforest). A diversidade de fauna é admirável e poderemos encontrar mais de 350 espécies de aves entre os quais a rara grande-arara-verde, em vias de extinção, tucanos, abutres, papagaios, colibris, rãs dardo vermelhas e verdes, macacos, morcegos, papa formigas e inúmeras belas borboletas. À hora do pequeno almoço içam um cacho de bananas defronte da sala de jantar que é um bom chamariz para as mais diversas aves que aí acorrem e que disputam o alimento. A variedade de pássaros é grande e o espectáculo muito interessante, colorido e divertido.
Outro dos costumes nesta estalagem é darem de comer aos caimãs na lagoa antes do crepúsculo. Depois instala-se uma intensa sinfonia na floresta com todos os animais nocturnos a iniciarem a sua actividade e a produzirem os seus sons. 
Além da Natureza exuberante que é o seu principal atractivo, a Costa Rica tem uma considerável actividade vulcânica que fascina a maioria dos viajantes. Fortuna é a aldeia privilegiada para se observar o vulcão Arenal pois está muito próxima. Ele tem uma elegante forma de cone, é activo e periodicamente produz explosões que expelem fumo, cinzas e rochas para o ar. Por isso não é permitido escalá-lo. Contentei-me em subir através de densa floresta ao Cerro Chato, um vulcão inactivo cuja cratera forma uma bonita lagoa rodeada de vegetação.
A experiência mais interessante que tive foi na Barra del Colorado. Navegámos 140 km no rio San Juan que faz a fronteira nordeste com a Nicarágua e que desemboca no mar das Caraíbas. Durante a nossa viagem observámos vários crocodilos em repouso, tartarugas e muitas aves lacustres, uma grande parte sendo pernaltas. Apesar da existência daqueles répteis vi diversas crianças a banharem-se tranquilamente nas margens e um grupo de rapazes a vogar animadamente sobre câmaras de ar.
Chegámos a um albergue no meio de uma estreita península onde, nas suas traseiras, se alongam quilómetros de praia deserta com coqueiros no mar das Caraíbas. O local não é habitado e não havia vivalma muitos quilómetros em redor. Paradisíaco!
Aqui fiz uma excursão de piroga à noite para observar fauna que foi a actividade mais curiosa e divertida que realizei. Navegámos junto às ramagens que pendiam sobre a água do rio que o guia perscrutava com uma lanterna. Foi muito aliciante pois deslizávamos debaixo das ramagens e aproximávamo-nos dos animais. Eles, dormindo, não reagiam! Fomos observando diversas aves de vários tamanhos. Vimos vários iguanas machos e fêmeas equilibrados nos ramos, bem como basiliscos, os lagartos que correm na superfície da água. Nas zonas menos profundas encontrámos dois caimãs repousando com os olhos e focinho à superfície. À excepção de uma ave e de um caimã que acordaram e se escapuliram, os restantes suportavam imperturbáveis o foco das lanternas bem como o clarão do meu flash.
No dia seguinte fizemos um passeio a pé na floresta. Caminhávamos em silêncio com o guia muito atento à frente. Vimos várias pequenas rãs dardo vermelhas, uma preguiça, abutres e diversas aves muito coloridas. As rãs dardo chamam-se assim pois segregam uma substância que os índios usam para envenenar as suas flechas. A preguiça é um mamífero curioso pois move-se muito lentamente e vive agarrado aos ramos das árvores e come folhas. O guia emitia um som que a fazia olhar em várias direcções com curiosidade.
O Parque Nacional Manuel Antonio situa-se na costa do Pacífico e possui um sistema de caminhos que cruzam a floresta tropical e que dão acesso a longas praias brancas com coqueiros e a um mar azul marinho com paisagens paradisíacas. Esta floresta contém 100 espécies diferentes de mamíferos e 180 espécies de aves. A observação mais aliciante que fiz nesta viagem foi a de uma boa constritora com dois metros e meio que se deslocava vagarosamente por entre a folhagem. O seu nome deve-se ao facto de ela estrangular as suas presas com o corpo e de lhes quebrar a coluna vertebral. O guia explicava-me que ela não é venenosa mas para eu não me aproximar muito pois ela morde. 
Descemos à praia e de caminho víamos macacos pendurados nas árvores. Tínhamos de caminhar com cuidado pois às vezes havia filas de formigas carregando grandes pedaços de folhas atravessando o carreiro. As suas tocas são uns montes de dimensão considerável e dizem-me que aí podem habitar alguns milhões de seres. Na costa os iguanas descem à areia e não se impressionam com a presença das pessoas. São uma companhia engraçada e têm um olhar meio desconfiado, parecendo ser muito pachorrentos.
Mais endiabrados são os mapache (raccoon): vi um grupo de três descer à praia e dirigirem-se a uns sacos cujas donas se banhavam. Abriram-nos, retiraram os pic nics e fugiram de volta ao arvoredo. Depois lutaram entre si pois não tencionavam dividir o saque. Gonçalo VelezMarço 2002
A península do Sinai é uma região milenar de movimentos de peregrinação na direcção da Terra Santa no qual o monte Sinai (jebel Musa, 2285m) representa uma referência importante.
A sua ascensão é realizada em carreiros suaves durante a madrugada e fiquei surpreso de ver dezenas de camelos transportando peregrinos de todas as idades até perto do cume. Outros tinham feito a ascensão na véspera e dormiam em saco cama à espera do nascer do dia. Mal o sol despontou aglomeraram-se sobre os diversos rochedos apreciando a forte luminosidade. Havia grupos de igreja provindos dos vários continentes, inclusive um japonês, chefiados por párocos que recitavam orações com grande devoção.
Visitei o mosteiro de Santa Catarina, situado na base do monte Sinai, que é um oásis de religiosidade cristã nesta vasta região desértica. Este mosteiro foi fundado no séc IV pela imperatriz bizantina Helena e tem sido ocupado por monges ortodoxos gregos. Está rodeado por uma elevada muralha que servia de protecção dos residentes e dos peregrinos que aí repousavam. A antiguidade dos objectos que se encontram dentro da igreja deixou-me surpreendido. Gostei particularmente dos enormes e pesados queimadores de incenso que pendem do tecto e dos inúmeros ícones que forram as paredes. A maioria dos visitantes arranca uma folha de um arbusto situado detrás da igreja que se supõe ser aquele que Moisés viu incendiar-se.
No caminho para o desfiladeiro Branco visitei um rochedo com inscrições de várias épocas e alfabetos realizadas por peregrinos que atravessavam as montanhas desérticas.
Apreciei o interior serpenteante do desfiladeiro e as suas interessantes formas arredondadas provocadas pela erosão da água ao longo de milénios. Ele desemboca num vale onde se situa o esplêndido e muito encantador oásis Ein Rhodra. Este oásis possui nascentes que permitem encher tanques de água cristalina e irrigar o arvoredo em redor. Aqui habitam três famílias de beduínos que dão guarida a todos os viajantes que passam. Dormi sob as estrelas e acordei com o agradável chilrear de múltiplas aves que saltitavam à minha volta.
Atravessámos o Sinai fora de estrada e descemos um longo desfiladeiro que desemboca na longa praia Ras Abugalum na margem do mar Vermelho. Aí fiz a travessia, sob as elevadas montanhas costeiras, até à localidade seguinte, num aprazível percurso de poucas horas à beira deste mar verde esmeralda. Passei alguns abrigos de pescadores situados em enseadas e vales pedregosos e segui a margem rochosa que ondula contornando falésias e promontórios. 
Atravessei o mar Vermelho para Aqaba na Jordânia e segui para a aldeia de Rum, situada na borda do célebre deserto onde se refugiou Lawrence. Esta região é conhecida pelos seus belíssimos promontórios rochosos, desfiladeiros e a sua areia dourada.
Caminhei por estreitas gargantas onde se avolumam dunas contra as paredes rochosas de elevadas falésias. A superfície da rocha é dotada de esplêndidos padrões criados pela erosão do vento canalizado nestes corredores. Mais à frente desemboca-se num largo vale onde encontrei mulheres nómadas vestidas de preto pastando burros e cabras nas raras giestas. Por perto havia grandes tendas onde habitavam.
Depois continua-se ora por espaços amplos muito panorâmicos, ora por entre uma geografia mineral cheia de curiosas formas onde se incluem curiosos arcos de rocha.
São de intensa beleza o crepúsculo e a alvorada onde os rochedos adquirem tonalidades admiráveis e vão variando consoante a intensidade do sol.
Dormi sempre ao relento apreciando o céu densamente estrelado e a passagem de estrelas cadentes, que deixam um rasto muito luminoso, são muito frequentes.
A fauna é escassa devido ao clima e dizem-me que podem encontrar-se ibex, chacais, cabras selvagens, águias e abutres, e que o gato das areias é estritamente nocturno.
Viajando mais para norte, cheguei à mítica cidade de Petra. No dia seguinte, passei o portão que conduz à garganta Siq às 6h. Atravessando os 1.2 km deste apertado desfiladeiro fui o primeiro a deparar com a impressionante fachada do Tesouro, Al Khazneh, inteiramente esculpido na rocha tal como todos os outros grandiosos monumentos de Petra. O requinte desta arquitectura bizantino-romana deixa-nos maravilhados sobretudo tendo em consideração a dificuldade em conceber estas fachadas escavadas de uma só peça!
Esta foi a fantástica capital do reino nabateu muito rico e poderoso no início da nossa era e que enriqueceu à custa das taxas alfandegárias impostas sobre o comércio de caravanas. Mais tarde viria a ser subjugado pelo império romano (séc II dC).
Subi ao alto do monte Al-Madbah onde se situa o Sacrifício e donde apreciei um largo panorama da geografia da cidade. Esta é composta por uma sucessão de elevadas falésias e promontórios onde a cidade foi escavada. Desci pela outra vertente por uma escadaria escavada na rocha e continuei muito interessado na descoberta dos inúmeros templos, palácios, habitações, túmulos e demais câmaras trogloditas que nos aparecem ao dobrar de cada esquina. Passando a avenida das colunas onde se encontram grandes templos nabateus e bizantinos, subi a longa uma escadaria que conduz ao mosteiro, Al Deir (séc III aC), situado no alto de um monte em local recatado. Esta foi a fachada que mais me atraíu pela sua grandeza e imponência, e também por se encontrar em local tranquilo onde poucos turistas chegam. 
No regresso passei pelos túmulos reais, percorri a avenida das fachadas e visitei o grande teatro (séc I dC) ao ar livre com sete mil lugares inteiramente esculpido na rocha!
Depois segui para Kerak onde visitei o seu grandioso e maciço castelo de cruzados construído no séc XII. Situa-se no topo de uma elevada colina e uma das suas muralhas eleva-se a 450m de altura. Passeio pelas suas diversas galerias e câmaras, algumas com inscrições do tempo dos cruzados e do período bizantino, e pelas muralhas donde apreciei um excelente panorama em redor.
Segui para o mar Morto onde caminhei na sua margem. Visitei a igreja ortodoxa de Madaba que alberga um excelente mosaico do séc VI dC e que representa um mapa dos locais bíblicos desde o Líbano ao Egipto. Subi o monte Nebo, do alto do qual supõe-se que Moisés tenha avistado a Terra Prometida. É o local cristão mais venerado da Jordânia. O seu pequeno mosteiro do séc VII contêm amplos e belos mosaicos dessa época onde se observam cenas de trabalho rural com vegetais e animais, muitos já extintos: leões, panteras, ursos e raposas.
Continuando para norte, visitei Jerash, uma muito interessante e bem conservada cidade romana do séc II. O seu teatro está inalterado e o seu fórum mantêm todas as colunas erectas. Passeamos nas suas elegantes avenidas calçadas ladeadas de colunas e visitei o arco triunfal de Adriano, o hipódromo, o grande templo de Zeus, o ninfeu (chafariz), os banhos e muito mais.
Depois atravessamos a fronteira para a Síria, e desviamos para Bosra. Esta vila foi a capital do norte do reino de Petra no séc I dC. Toda a vila está construída sobre edificações romanas e é dominada pela cidadela onde se encontra o teatro, o mais bem preservado de todos os teatros romanos existentes e um dos maiores com os seus 15,000 lugares. Aqui também se encontram os banhos, o ninfeu, as calçadas romanas ladeadas de colunas, etc. Os seus templos são de grande antiguidade tais como a mesquita de Omar (séc VIII), uma das mais antigas no Mundo, o mosteiro do séc IV e a basílica, muito arruinada, do séc VI.
Na antiga Damasco, no interior das espessas muralhas romanas atravessadas por grandes portões, visitamos o interessante Museu Nacional que tem a fachada de um palácio-castelo do deserto do séc VII. As antiguidades que apresenta são imensas e variadas e algumas remontam ao séc XIV aC. Seguimos para a monumental mesquita Omaiada (séc III dC) que é metade mesquita e metade igreja e que por este motivo possui uma interessante história. Aqui se encontra o mausoléu de Saladino, o conquistador egípcio de Damasco (séc XII). Perto visitamos o elegante palácio Azem, a residência do governador otomano. Caminhamos ao longo da rua direita através do curioso bairro cristão visitando as históricas igrejas de São Ananias e de São Paulo. Continuamos para a bonita mesquita Teikieh Suleimanieh (séc XVI) na margem do rio Barada. Ao lado situa-se um antigo caravanserai otomano do séc XVI que é hoje um pitoresco mercado de artesanato.
Chegamos finalmente a Palmira, a célebre cidadela romana fundada no séc II dC, um dos mais ricos e completos locais arqueológicos romanos da actualidade. A cidade foi muito próspera devido ao comércio das caravanas que demandavam o Mediterrâneo provindas da Ásia central, e também por ter sido um importante ponto de defesa do império romano contra o poderio dos persas. Nos seus actuais 50ha, oferece-nos uma grande variedade de interessantes edificações e de arte, a destacar os grandes templos, a longa avenida ladeada de colunas, o grande teatro, o agora ou fórum, as torres funerárias, o arco triunfal, os tetrapilões. Visitamos o museu que apresenta uma excelente colecção de estatuária. Ao longe veremos o enorme castelo árabe do séc XVII no alto de uma colina.
Depois partimos para outro dos grandes monumentos desta viagem: o Krak des Chevaliers.
Esta imponente e massiva fortaleza de cruzados do séc XII tinha um importante papel estratégico no controlo do tráfego entre o Mediterrâneo e o interior do País. O seu estado de conservação é notável e aí se fundem os estilos franco e árabe. Ainda hoje poderemos apreciar os grandes caldeirões donde se vertia o óleo em ebulição sobre o invasor.
Mais locais visitaremos nesta viagem pelo que não é possível descrever com fieldade a enorme riqueza que ela nos irá oferecer.
Acresce que, no seu decurso, houve momentos especiais que me marcaram bastante mas que não correspondem a algum dos grandes atractivos de nome sonante.
Destaco a dormida no oásis de Ein Rhodra. É quase o que vemos nos filmes com a diferença de que este é bem real. Situa-se numa zona muito desértica e agreste, e o bem-estar que senti quando aí cheguei foi marcante. Gostei de dormir ao relento e de acordar à primeira luz com dezenas de aves à minha volta, que não se assustaram com o meu olhar e que observei longamente.
Os longos crepúsculos no Wadi Rum, à beira de uma fogueira, são outros momentos de grandes tranquilidade e beleza que muito apreciei.Gonçalo Velez
Junho 2001
O fenómeno da altitude é algo que irá sentir durante os nossos passeios em diversas elevadas montanhas, normalmente acima dos 3000m.
Ele é um pouco incompreendido e nada tem de pernicioso, sendo outro factor climático tais como o calor, a humidade, o vento, a exposição solar que, em demasia, requerem um período de adaptação.
O nosso organismo está habituado a captar o oxigénio do ar a uma pressão atmosférica perto do nível do mar. Subindo em altitude essa pressão vai decrescendo e os nossos alvéolos pulmonares terão de fazer maior esforço para captar a quantidade habitual de oxigénio. É por este motivo que, nos primeiros dias em altitude, nos sentiremos ofegantes se quisermos caminhar a uma passada rápida. De igual modo, uma subida muito rápida também não consegue ser bem assimilada pelo organismo.
Se planearmos a ascensão de forma adequada, o organismo irá reagir com moderação criando uma maior quantidade de glóbulos vermelhos no sangue. Com o passar dos dias você sentirá que o esforço já não lhe custará tanto como no primeiro dia.
Esta alteração da composição do sangue não tem quaisquer efeitos negativos e durará enquanto você permanecer em altitude. De regresso a casa sentiremos claramente que temos maior capacidade para produzir esforço.
Um aspecto importante a ter em conta durante a ascensão é não nos esforçarmos demasiado para não provocarmos um desequilíbrio. Caminhe a um ritmo confortável. Se tiver que parar para recuperar o fôlego isso significa que a sua passada é apressada. Procure a passada ideal que lhe permita caminhar durante tanto tempo quanto queira a subir sem necessidade de descansar.
A vida em altitude implica vigiarmos atentamente a nossa saúde e cumprirmos alguns requisitos essenciais:
a) Devemos hidratar-nos sempre mais do que o costume. Na montanha o ar é muito mais seco, o que gera uma maior perda de vapor de água pela respiração. É algo a que não estamos habituados e por isso temos dificuldade em notá-lo. Também o exercício físico diário provoca maior perda de água pela transpiração. Em altitude, os raios solares são mais intensos e são outra fonte de desidratação.
Por isso lhe recomendamos que beba com muita regularidade, mesmo que não tenha sede, com reforços em excesso ao pequeno almoço e ao fim do dia. Uma boa hidratação do organismo possibilita uma recuperação mais rápida da fadiga, e não sentirá os músculos doridos (o que acontece no caso contrário).
A hidratação no final do esforço é a mais importante, pois durante o dia não conseguirá beber tanto quanto necessário. Prefira água morna ou quente (chá, sopa), pois o organismo absorve-a melhor, e concentre-se em conseguir absorver o mais possível. Tente conseguir duas urinas abundantes entre o final da etapa e o deitar. Uma urina transparente significa que o organismo está bem hidratado. Mantendo sempre uma boa hidratação do organismo possibilita uma recuperação mais rápida da fadiga muscular durante a noite. Durma com o cantil à cabeceira e beba de cada vez que despertar.
b) Numa viagem com predominância de esforço físico é vital repor as calorias gastas em cada etapa. Note que não é necessário comer muito, desde que se coma o que é correcto. As suas refeições devem ser sempre muito ricas em hidratos de carbono (arroz, massas, batata, cereais, feijão, biscoitos, etc) para repor as reservas de energia que gastou durante o dia. O seu suprimento far-se-à sobretudo ao jantar, pois a refeição de meio do dia deve ser frugal, tipo pic-nic, para que não prossiga a etapa com uma digestão pesada.
c) Procure dormir bastante para se restabelecer: é possível dormir 9 a 10 horas por noite.
Tenha o cuidado de dormir sempre bem quente; se tiver frio vista mais roupa e encha o saco-cama com toda a roupa que tiver, inclusive a dos seus companheiros. Se tiver frio nos pés durante a noite, despeje a mochila e enfie o extremo do saco-cama dentro dela.
d) Não apanhe frio, e sobretudo não tome banho em ambiente frio (por ex. à noite), pois este prejudica seriamente a adaptação à altitude além de que poderá constipar-se. Note que uma constipação irá atacar-lhe os brônquios, e reduzir-lhe a captação de oxigénio.
A doença de altitude: Manifesta-se numa primeira fase com dores de cabeça e respiração ofegante. Não é preocupante, sendo até normal. Nos primeiros dias você irá sentir-se ofegante ao mínimo esforço, depois notará que esse efeito se reduz com a progressão da aclimatação.
Não tome qualquer medicação enquanto estiver em altitude, especialmente antibióticos e comprimidos para dormir. Os primeiros enfraquecem bastante, os últimos poderão ser fatais. Os efeitos tanto dos medicamentos como do álcool são largamente ampliados pela altitude e podem ter efeitos imprevisíveis e nefastos.
Numa fase mais avançada, a doença da altitude manifesta-se através de um início de edema: a) cerebral - náusea, vómitos, perda de apetite, ou b) pulmonar - respiração muito ofegante com rápidas batidas cardíacas, mesmo em repouso, e tosse violenta.
Em ambos os casos a pessoa atingida não deverá prosseguir. Se, passados um ou dois dias à mesma altitude, o seu estado se mantiver ou piorar, ela deve perder altitude rapidamente.
Em Portugal temos muita aversão ao frio, talvez pela nossa génese mediterrânica muito ligada ao clima cálido das terras áridas do norte de África.
Por outro lado, nunca investimos seriamente no conforto tendente a proteger-nos do frio e por esse motivo sofremos.
O inverno em Portugal dura tão pouco...
Quantos estabelecimentos públicos encontramos aquecidos durante o inverno? Quantas torneiras em lavatórios nesses locais deitam água quente? Inclusive, para nosso infortúnio, muitas dessas casas têm as portas abertas para a rua! As nossas próprias habitações também são pouco adequadas, do ponto de vista da técnica e dos materiais, para nos isolar eficazmente dos calafrios.
Por estes motivos sofremos com o frio e dele temos má memória. No entanto, o ar frio poderá ser mais saudável pois é mais seco e mais convidativo ao exercício e à actividade. E afinal, os desportos de inverno são um grande prazer para muitos.
O princípio da protecção do frio é o isolamento:
Por um lado, a roupa que usamos não deve deixar entrar ar frio. As mangas das camisolas devem estar justas aos pulsos e as calças devem apertar no tornozelo. O mesmo se aplica à gola e ao acabamento da cintura.
Por outro, a roupa que vestimos deve ser capaz de conservar uma camada de ar quente junto ao corpo. Quanto mais intenso for o frio mais espessa deve ser essa camada que pode ser composta por três a cinco peças de roupa: desde a camisola interior térmica ao casaco impermeável ou casaco forrado, que em último caso poderá ser um espesso casaco de plumas.
Ao invés, há quem julgue erradamente que um bom impermeável aquece só pelo motivo de que não deixa entrar o vento!
Nenhuma roupa aquece pois quem o faz é a energia do nosso corpo. A função dos agasalhos é a de conservar o mais possível esse calor junto ao corpo. Para isso é necessário recorrer a fibras e a materiais que sejam densos para que conservem o ar quente. A construção do agasalho não deve permitir que esse ar quente escape. Um exemplo contrário deste aspecto é a camisola de lã que, sujeita ao efeito do vento, deixa de oferecer protecção.
A lã tem sido tradicionalmente a fibra de eleição em todos os continentes, só recentemente começando a ser substituída. Hoje já se vulgarizaram diversas fibras sintéticas que são muito confortáveis e têm alta densidade, além de que são leves, muito rápidas a secar e fornecem equivalente grau de respirabilidade. Todos estes factores destronam a lã...
O material tradicional que ainda não foi ultrapassado em desempenho é a penugem de ganso e que serve para forrar casacos e sacos cama. As suas leveza, compressibilidade e conforto mantêm-se imbatíveis.
Há outro factor fundamental para que a protecção do frio seja eficaz: é primordial manter uma boa circulação do sangue.
Muitas vezes no campo ouvimos pessoas queixarem-se de que têm os pés gelados. Todas são aconselhadas a afrouxar os atacadores e passados alguns minutos de exercício quase todas começam a sentir calor nos pés pois a circulação normalizou-se. Quem o não sente ou tem as meias molhadas (na véspera teve o cuidado de secar as meias?) ou as botas demasiado justas. O mesmo se aplica às luvas, não só à pressão que possa ser exercida nos pulsos por um elástico muito apertado, como também na base dos dedos nos casos em que as luvas têm costuras volumosas ou estão muito justas à mão.
Há outro aspecto importante que se descura frequentemente que é a protecção da cabeça. Esta tem uma superfície muito grande e por lá perdemos muita energia. Devemos manter a cabeça sempre coberta com um barrete que nos cubra desde a testa à nuca. Se acampamos, é recomendável conservar o barrete durante as 24h do dia.
O mecanismo de sobrevivência que o nosso organismo utiliza em situações críticas de frio é o da selectividade. Os órgãos para os quais o fluxo de sangue acorre com maior prioridade são o cérebro, os pulmões e órgãos principais alojados no tronco. Os que ele sacrifica em favor destes são as extremidades: mãos e pés.
O seguinte exemplo é plausível: imagine que anda a passear ao ar livre de mãos calçadas com luvas de lã e a cabeça descoberta, exposta ao vento frio. Seria estranho sentir frio nas mãos, mas é verdade. Mas se cobrir a cabeça verá que em pouco tempo a sensação de frio nas mãos diminui. Porquê? Havia uma grande quantidade de energia desperdiçada que era utilizada para proteger a cabeça. Após cobri-la, essa energia já pode ser distribuída por outras partes do corpo onde seja mais necessária.
Recomendamos, por último, que adquira equipamento de qualidade pois no momento em que estiver a viver condições difíceis irá agradecer-se francamente a boa decisão que tomou!